Paciente diabético, 65 anos, internado para tratamento de pneumonia, apresenta o seguinte quadro: nível alterado de consciência, hipotensão arterial refratária à reposição volêmica, oligúria, extremidades frias e pálidas; frequência cardíaca = 110 bpm; frequência respiratória = 30 irpm; PaCO2 = 29 mmHg. Esses são alguns dos sintomas indicativos de choque
- A)séptico.
Correta, pois pneumonia associada a hipotensão refratária, oligúria, alteração do sensório e sinais de hipoperfusão é quadro típico de choque séptico.
- B)anafilático.
Errada, porque choque anafilático costuma vir com gatilho alérgico, broncoespasmo, urticária e edema, o que não aparece no caso.
- C)obstrutivo.
Errada, já que choque obstrutivo decorre de bloqueio mecânico ao fluxo sanguíneo, como tamponamento cardíaco ou tromboembolismo pulmonar maciço.
- D)neurogênico.
Errada, pois o choque neurogênico geralmente cursa com bradicardia e pele quente por perda do tônus simpático, diferente deste quadro.
- E)hipovolêmico.
Errada, porque o choque hipovolêmico costuma vir de perda de volume, como hemorragia ou desidratação importante, e o enunciado aponta foco infeccioso.
Gabarito: A
Em urgência e emergência, a palavra-chave do choque séptico é infecção + perfusão ruim. Quando o paciente com pneumonia evolui com alteração do nível de consciência, hipotensão que não melhora só com volume, oligúria, extremidades frias e pálidas, você deve pensar em falência circulatória por sepse. É o corpo entrando em uma resposta inflamatória exagerada à infecção, com vasodilatação, fuga capilar e má distribuição do fluxo sanguíneo. Aí o rim sofre, o cérebro reclama e a pressão despenca mesmo depois de reposição volêmica. O quadro descrito encaixa bem em choque séptico porque o paciente já tem um foco infeccioso provável, a pneumonia, e apresenta sinais clássicos de hipoperfusão tecidual: rebaixamento do sensório, oligúria, taquicardia e taquipneia. A PaCO2 baixa sugere hiperventilação compensatória, comum em estados de estresse metabólico e hipóxia tecidual. Ou seja, o organismo está correndo para tentar compensar uma circulação que não está dando conta do recado. Nas provas, a banca gosta de cobrar que o choque séptico pode começar com vasodilatação, mas depois pode aparecer pele fria, extremidades marmóreas e hipotensão persistente, principalmente em fases mais avançadas. Não precisa decorar novela, basta reconhecer o roteiro: infecção, instabilidade hemodinâmica e sinais de má perfusão. É o tipo de quadro em que o tempo faz muita diferença, então a identificação precoce é essencial. Por isso, o gabarito é a alternativa A. Não é só um paciente doente com pneumonia: é um paciente com infecção e sinais de choque, compatível com sepse grave/choque séptico.