No quadro da Política Nacional de Humanização foi proposto, em 2009, o Plano de Qualificação da Atenção em Maternidades e a Rede Perinatal na Amazônia Legal e Nordeste (PQM), para desenvolver condições institucionais e técnicas que alterassem os processos de trabalho e reduzissem a morbimortalidade materna e neonatal. A atenção ao parto e ao nascimento, com modos de cuidado humanizado e integral às mulheres e às crianças,
- A)pressupõe a hegemonia de um modelo biomédico, pautado em uma concepção mecanicista do organismo humano.
Errada, porque a humanização do parto rompe justamente com a hegemonia biomédica mecanicista e com a visão da mulher como objeto de intervenção.
- B)é centrado na incorporação de tecnologias e na organização especializada e setorial do ambiente e dos processos de trabalho.
Errada, porque a atenção humanizada não se baseia em especialização excessiva e setorização do cuidado, mas em integralidade, vínculo e reorganização do processo de trabalho.
- C)conta com educadores perinatais, psicólogos e doulas na equipe médica e assistencial, de acordo com as necessidades da mulher e de sua família.
Certa, pois a proposta de cuidado humanizado admite suporte multiprofissional e apoio à mulher e à família, conforme as necessidades do parto e do nascimento.
- D)está voltado para atender a mulher indígena a partir do ambiente social das aldeias, afastadas de adequadas estruturas hospitalares.
Errada, porque a diretriz não é restringida à mulher indígena nem depende de afastamento de estrutura hospitalar, mas de qualificação da atenção em maternidades e na rede perinatal.
- E)promove o parto com métodos de alívio da dor baseados na episiotomia, no uso de ocitocina e na possibilidade de partos na posição vertical.
Errada, porque episiotomia e ocitocina não são medidas de alívio da dor, e a humanização do parto não defende intervenções rotineiras sem indicação clínica.
Gabarito: C
A Política Nacional de Humanização (PNH) procura mudar a lógica fria e fragmentada do cuidado em saúde, valorizando acolhimento, autonomia, vínculo e trabalho em equipe. No campo da maternidade, isso aparece no Plano de Qualificação da Atenção em Maternidades e Rede Perinatal na Amazônia Legal e Nordeste (PQM), que buscou melhorar o processo de trabalho e reduzir a morbimortalidade materna e neonatal. Na atenção ao parto e ao nascimento, o foco não é tratar a mulher como se fosse uma peça de máquina nem reduzir o cuidado a rotinas engessadas. A ideia é oferecer assistência integral, segura e respeitosa, considerando as necessidades da mulher, do bebê e da família. Isso combina com os princípios do SUS e com diretrizes humanizadoras do parto, como escuta qualificada, participação da família e cuidado multiprofissional. Por isso, a alternativa C é a correta: a atenção humanizada ao parto pode contar com profissionais e apoiadores conforme a necessidade do caso, como educadores perinatais, psicólogos e doulas, compondo uma rede de suporte à mulher e à família. As doulas, inclusive, são reconhecidas como acompanhantes de suporte emocional e físico, em linha com a lógica da humanização do parto. Em resumo: parto humanizado não é "parto sem assistência" nem "parto com qualquer tecnologia a qualquer custo". É cuidado centrado na mulher, com equipe preparada, ambiente acolhedor e intervenções usadas de forma responsável e baseada em necessidade clínica.