Em junho de 2021 foi divulgado o primeiro caso de transmissão comunitária no Brasil da variante indiana da Covid-19. Sobre as características desse tipo de transmissão, é correto afirmar que:
- A)as equipes de vigilância conseguem mapear a cadeia de infecção;
Errada, porque na transmissão comunitária geralmente não é possível mapear com precisão a cadeia de infecção.
- B)é impossível determinar quem foi a pessoa responsável pela contaminação dos demais;
Certa, pois a circulação comunitária impede identificar com segurança a pessoa fonte do contágio dos demais casos.
- C)todos os casos novos são alóctones e estão relacionados entre si;
Errada, porque casos alóctones e relacionados entre si caracterizam transmissão ligada a importação, não circulação comunitária difusa.
- D)a difusão do vírus ocorre exclusivamente a partir de casos importados;
Errada, porque a difusão exclusivamente por casos importados descreve fase inicial de importação, e não transmissão comunitária.
- E)todos os casos novos são alóctones e não estão relacionados entre si.
Errada, porque os casos novos na transmissão comunitária não são necessariamente alóctones, nem costumam ocorrer sem relação epidemiológica entre todos.
Gabarito: B
Na vigilância epidemiológica, entender o tipo de transmissão é metade do jogo. Quando falamos em transmissão comunitária, significa que o vírus já circula entre pessoas da comunidade e não dá para apontar com segurança a origem de cada contágio. Em outras palavras: a cadeia de transmissão fica “embaralhada”, porque os casos deixam de estar ligados claramente a um caso importado ou a uma fonte identificável. Isso é diferente de situações em que a vigilância consegue rastrear os contatos e montar a cadeia de infecção, como acontece no início de um surto localizado. Na transmissão comunitária, esse rastreamento fica limitado, porque há casos sem vínculo epidemiológico definido entre si e sem nexo claro com viagens ou importação do agente. Por isso, a alternativa B está correta: é impossível determinar quem foi a pessoa responsável pela contaminação dos demais, já que a circulação do vírus na comunidade impede a identificação precisa da fonte. É o famoso momento em que o vírus “anda sozinho” pela vizinhança, sem pedir CPF nem dar endereço. Esse conceito é clássico em epidemiologia e vigilância em saúde e orienta medidas como intensificação da testagem, isolamento, rastreamento de contatos quando possível e monitoramento da disseminação. A lógica cobrada pela FGV é justamente essa: transmissão comunitária não é caso isolado importado, nem cadeia perfeitamente rastreável.