Sobre a assistência prestada a um paciente em parada cardiorrespiratória, é correto afirmar que:
- A)quando o desfibrilador for usado em crianças, recomenda-se que o primeiro choque seja de 4 Joules/Kg;
Errada, porque a energia do primeiro choque em crianças não é universalmente fixada dessa forma e depende do protocolo adotado, com dose inicial usualmente menor e escalonamento conforme diretriz.
- B)na RCP de um adulto, quando houver uma via aérea avançada, deve-se administrar em torno de 20 ventilações/minuto;
Errada, porque com via aérea avançada a ventilação em adulto deve ser mais espaçada, em torno de 10 ventilações por minuto, e não 20 por minuto.
- C)a lidocaína é contraindicada em crianças menores de 2 anos de idade;
Errada, porque a lidocaína não é formalmente contraindicada apenas por a criança ter menos de 2 anos; seu uso depende da indicação e do protocolo, embora outras drogas sejam mais preferidas em certos cenários.
- D)a oxigenação e o manejo da via aérea devem ser priorizados na ressuscitação cardiopulmonar de uma gestante;
Certa, porque na PCR da gestante a oxigenação e o manejo da via aérea ganham grande relevância devido à menor reserva respiratória, maior risco de dessaturação e necessidade de ventilação eficaz.
- E)na cadeia de sobrevivência para PCR extra-hospitalar, a primeira medida deve ser a ressuscitação avançada.
Errada, porque a cadeia de sobrevivência na PCR extra-hospitalar começa pelo reconhecimento precoce, acionamento do serviço de emergência e RCP imediata, não pela ressuscitação avançada.
Gabarito: D
Na parada cardiorrespiratória, a lógica da ressuscitação muda um pouco conforme o cenário. Em geral, o foco é compressão de alta qualidade, desfibrilação quando indicada e suporte ventilatório adequado, mas existem situações em que a prioridade precisa ser adaptada ao paciente. Isso é clássico em gestante: além da RCP padrão, a equipe deve pensar rápido em oxigenação eficiente e manejo de via aérea, porque a gestação traz consumo de oxigênio maior, menor reserva respiratória e maior risco de aspiração e de dificuldade de ventilação. Por isso, a alternativa correta é a que destaca a oxigenação e o manejo da via aérea na ressuscitação cardiopulmonar da gestante. Em provas, isso costuma aparecer junto de medidas como deslocamento manual do útero para a esquerda e preparo para via aérea avançada, já que a gestante pode dessaturar rápido e a compressão da veia cava pelo útero compromete o retorno venoso. Aqui, a banca quer que você lembre que gestante em PCR não é "RCP comum com barriga maior": há ajustes importantes. As demais alternativas misturam doses, frequência e prioridades de forma incorreta. Em RCP com via aérea avançada, a ventilação é mais lenta do que o sugerido na letra B, e a cadeia de sobrevivência não começa pela ressuscitação avançada, mas pelo reconhecimento precoce e acionamento do socorro. Já a desfibrilação pediátrica e o uso de antiarrítmicos exigem cuidado com as faixas etárias e as doses, mas a banca colocou um detalhe impreciso na letra A e uma restrição que não procede na letra C. Em termos doutrinários, isso está alinhado às diretrizes de suporte avançado de vida, como as recomendações do AHA e da American Heart Association para parada em gestantes, que enfatizam oxigenação, ventilação eficaz e via aérea em conjunto com RCP de alta qualidade. Em prova, pense assim: gestante em PCR exige rapidez, equipe treinada e foco especial em respiração e via aérea, sem abandonar as compressões.