Criança de 1 ano e 8 meses internada na unidade de terapia intensiva com traumatismo cranioencefálico apresentou, diante de estímulo doloroso, gemidos, abertura ocular e flexão anormal dos membros. De acordo com a escala de coma de Glasgow pediátrica, esses sinais indicam:
- A)lesão cerebral leve.
Errada, porque os achados são compatíveis com Glasgow muito baixo, e não com lesão leve.
- B)ausência de lesão cerebral.
Errada, porque a criança apresenta resposta neurológica claramente alterada, com sinais de rebaixamento importante do nível de consciência.
- C)lesão cerebral moderada que requer monitorização.
Errada, porque lesão moderada costuma ficar entre Glasgow 9 e 12, e aqui o quadro sugere pontuação mais grave.
- D)lesão cerebral grave com necessidade de intubação.
Certa, porque abertura ocular ao estímulo doloroso, gemidos e flexão anormal indicam Glasgow na faixa de lesão grave, com indicação de intubação.
- E)lesão cerebral grave sem necessidade de intubação.
Errada, porque a gravidade descrita até pode ser grave, mas Glasgow muito baixo em trauma exige proteção de via aérea, geralmente com intubação.
Gabarito: D
A Escala de Coma de Glasgow pediátrica serve para quantificar o nível de consciência da criança após um trauma, especialmente no traumatismo cranioencefálico. Ela avalia resposta ocular, verbal e motora, somando pontos para indicar a gravidade do quadro. Na prática, quanto menor a pontuação, maior o comprometimento neurológico e mais urgente a vigilância clínica. No caso descrito, a criança apresentou abertura ocular ao estímulo doloroso, gemidos e flexão anormal dos membros. Isso corresponde, em termos práticos, a um Glasgow baixo, em faixa de lesão cerebral grave. A combinação de respostas pouco elaboradas e postura motora anormal não sugere apenas observação simples, mas risco real de deterioração neurológica. Na pediatria, a interpretação é muito usada para orientar conduta em trauma: Glasgow de 13 a 15 costuma indicar lesão leve, 9 a 12 moderada, e 8 ou menos grave. Com pontuação tão baixa, a proteção das vias aéreas ganha importância, porque a criança pode perder reflexos de proteção e aspirar secreções ou vomitar. Por isso o gabarito é a letra D: trata-se de lesão cerebral grave com necessidade de intubação. Em emergências neurotraumatológicas, um Glasgow menor ou igual a 8 é o clássico alerta para intubação e suporte ventilatório, porque o cérebro já está mandando sinais de que não está para brincadeira.