No início de 2018, o estado de Roraima (RO) viveu um surto de sarampo a partir de casos importados da Venezuela. Em 2019, foram mais de 19 mil casos notificados em vários estados brasileiros. Com base nessas informações, é correto afirmar que:
- A)todos os casos registrados em 2019 são classificados como alóctones;
Errada, porque nem todos os casos de 2019 são necessariamente alóctones; isso depende de onde cada um foi infectado.
- B)os casos importados da Venezuela são denominados autóctones;
Errada, porque casos importados de outro país são alóctones, não autóctones.
- C)o surto que ocorreu em Roraima em 2018 se deu a partir de casos alóctones;
Certa, porque o surto em Roraima começou com casos vindos da Venezuela, ou seja, casos alóctones/importados.
- D)os casos ocorridos em 2018 e 2019 são classificados como autóctones;
Errada, porque os casos de 2018 e 2019 não podem ser todos chamados de autóctones sem investigar a origem da infecção.
- E)os casos ocorridos em Roraima são considerados autóctones e os demais são considerados alóctones.
Errada, porque a classificação não é feita por estado de notificação, e sim pela origem da infecção de cada caso.
Gabarito: C
Em epidemiologia, a origem do caso importa muito. Quando a doença é registrada em um lugar, mas o caso veio de fora daquele território, ele é chamado de alóctone ou importado. Já o caso autóctone é aquele adquirido na própria área onde foi notificado, ou seja, a transmissão aconteceu ali mesmo. No surto de sarampo em Roraima no início de 2018, os primeiros casos vieram da Venezuela. Isso significa que eles não nasceram da transmissão local brasileira, mas sim foram introduzidos de fora. Por isso, o evento começou com casos alóctones, que depois puderam gerar transmissão interna. Em 2019, os muitos casos notificados em vários estados brasileiros não podem ser automaticamente classificados de um jeito só sem analisar a cadeia de transmissão de cada caso. Em vigilância epidemiológica, o rótulo depende da investigação do local de infecção, não apenas do local de notificação. É aí que muita gente escorrega. Então, o gabarito é a letra C porque o surto de Roraima em 2018 se iniciou a partir de casos importados da Venezuela, isto é, casos alóctones. Esse é o clássico raciocínio de vigilância: onde o caso foi adquirido e onde ele foi notificado nem sempre são a mesma coisa.