Paciente do sexo feminino, 35 anos, deu entrada na unidade de saúde levada por amigos, inconsciente, apresentando miose, hipotensão, bradicardia, bradipneia e hipotermia. Os amigos informaram que a paciente faz uso, entre outros medicamentos, de morfina para tratamento de dor crônica. Nesse caso, diante dos sinais e sintomas apresentados e da suspeita de intoxicação por opioide, a conduta imediata recomendada é
- A)RCP de alta qualidade.
Errada, porque RCP é indicada quando há parada cardiorrespiratória, e o enunciado descreve depressão respiratória grave, não parada confirmada.
- B)oxigenação e monitoramento dos sinais vitais.
Errada, porque apenas oxigenar e monitorar é insuficiente diante de bradipneia e rebaixamento importante, já que a paciente precisa de ventilação de resgate e reversão do opioide.
- C)uso de naloxona e monitoramento dos sinais vitais.
Errada, porque a naloxona é importante, mas sem ventilação de resgate você não corrige de imediato a hipoventilação e a hipoxemia.
- D)ventilação de resgate e administração de naloxona.
Certa, porque a prioridade na intoxicação por opioide com depressão respiratória é ventilar a paciente e administrar naloxona, com monitorização contínua.
- E)RCP, ventilação de resgate e administração de naloxona.
Errada, porque inclui RCP sem haver parada cardiorrespiratória descrita e mistura condutas de cenários diferentes.
Gabarito: D
A intoxicação por opioide costuma dar um “pacote clássico” de sinais: rebaixamento do nível de consciência, miose, bradipneia, bradicardia, hipotensão e, em casos graves, hipotermia. Quando você reconhece esse quadro, a prioridade não é sair correndo com medicação e esquecer a via aérea: primeiro vem a ventilação. Isso porque o maior risco imediato é a hipoventilação e a parada respiratória, então é preciso garantir oxigenação e suporte ventilatório enquanto se trata a causa. A naloxona é o antídoto dos opioides e deve ser administrada precocemente, mas ela não substitui a ventilação de resgate quando a paciente está com respiração inadequada. Em outras palavras: se a pessoa não ventila bem, você ventila antes e junto do antídoto. É uma abordagem prática e de emergência, bem alinhada com o raciocínio de suporte básico e avançado de vida. Por isso o gabarito é a letra D: ventilação de resgate e administração de naloxona. A conduta imediata deve corrigir a hipoxemia e reverter o efeito opioide, com monitorização contínua dos sinais vitais. Depois, claro, entra a observação mais prolongada porque a naloxona pode ter duração menor que a do opioide, e o paciente pode “voltar a apagar” se não for monitorado. Como referência doutrinária, o manejo da intoxicação por opioides segue a lógica de prioridade da via aérea, ventilação e administração do antagonista opioide, conforme protocolos de urgência e emergência e suporte básico de vida. A banca costuma cobrar exatamente essa ordem de raciocínio: primeiro respiração, depois antídoto, sem pular etapas.