O atendimento às vitimas com suspeita de Acidente Vascular Encefálico (AVE) exige identificação precoce e rápida intervenção. Sobre o AVE, cuidados e intervenções, é correto afirmar:
- A)Para fins de cronologia da ocorrência do AVE e definição do tratamento, caso os sintomas forem observados no paciente ao acordar, este deve ser o horário a ser considerado da ocorrência do AVE.
Errada: se os sintomas são percebidos ao acordar, considera-se o último momento em que o paciente estava bem, e não o horário do despertar.
- B)A trombólise endovenosa é indicada em todos os pacientes com suspeita de AVE, seja ele isquêmico ou hemorrágico.
Errada: a trombólise endovenosa não é indicada para todos os AVEs, sendo restrita principalmente ao AVE isquêmico e após excluir hemorragia.
- C)Dentre os critérios para a realização de trombólise está o fato de o AVE ter ocorrido há menos de 12 horas. Por isso a importância de o enfermeiro na triagem identificar o início dos sintomas.
Errada: a janela da trombólise não é de menos de 12 horas, pois o prazo usual é bem menor e depende de critérios clínicos e de imagem.
- D)A escala de Cincinatti pode ser utilizada para auxiliar a identificação do AVE no atendimento pré-hospitalar, o que inclui pedir para o paciente dar um sorriso, levantar os braços e pronunciar uma frase ao comando.
Certa: a escala de Cincinnati ajuda a identificar AVE no atendimento pré-hospitalar por meio de face, braço e fala.
- E)No atendimento inicial do AVE agudo, com sintomas a menos de 4 horas, é contraindicado permanecer com a cabeceira do leito do paciente reta, devendo a mesma ser mantida a pelo menos 60º, evitando assim agravamento do quadro.
Errada: no AVE agudo, a cabeceira elevada a 60º não é a orientação de rotina; a conduta deve ser individualizada para evitar prejuízo de perfusão cerebral.
Gabarito: D
O AVE é uma emergência tempo-dependente: quanto mais cedo reconhecer, maior a chance de reduzir sequelas. No atendimento inicial, o foco é identificar sinais neurológicos súbitos, acionar rapidamente a rede de urgência e definir o início dos sintomas, porque isso orienta a janela terapêutica e a conduta. Na prática, enfermeiro atento salva cérebro, e aqui cada minuto conta mesmo. A alternativa D está correta porque a escala de Cincinnati é um instrumento simples para triagem pré-hospitalar do AVE. Ela avalia três sinais clássicos: assimetria facial ao pedir um sorriso, queda de um dos braços ao solicitar elevação dos membros superiores e alteração da fala ao pedir a repetição de uma frase. Se houver qualquer um desses achados, há forte suspeita de AVE e a vítima deve ser encaminhada imediatamente. Já a trombólise endovenosa não é para todo mundo, nem para AVE hemorrágico. Ela é indicada, em regra, no AVE isquêmico selecionado, dentro da janela terapêutica e após excluir sangramento em exame de imagem. A lógica é simples: não se dissolve coágulo quando o problema é hemorragia. Um ponto muito cobrado é que, em pacientes que acordam com sintomas, considera-se como horário de início o último momento em que estavam bem, e não o horário em que abriram os olhos. Isso muda a elegibilidade para trombólise e reforça a importância da anamnese rápida e precisa na triagem.