O enfermeiro neonatologista realizou num recémnascido prematuro extremo (32 semanas) o procedimento de sondagem orogástrica após o nascimento e encontrou resistência a 10cm da comissura labial, sendo inserida metade da medida prevista. Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma sobre as competências do enfermeiro, considerando o contexto do caso clínico apresentado e a Resolução COFEN nº 619/2019. ( ) Solicitar ao médico neonatologista avaliação sobre o posicionamento da sonda. ( ) Registrar em prontuário todas as ocorrências e dados referentes ao procedimento. ( ) Solicitar e encaminhar o paciente para exame de radiografia visando a confirmação da localização da sonda. ( ) Solicitar e encaminhar o paciente para exame de radiografia para descartar complicações como estenose e perfuração do esôfago. ( ) Proceder ao teste de confirmação do posicionamento da sonda no estômago, através da administração de 20ml de soro e ausculta no corpo do estômago. De acordo com as afirmações, a sequência correta é
- A)V, F, F, F, V.
Errada, porque inverte a sequência: a intercorrência deve ser registrada e investigada, e o teste por ausculta com soro não é método seguro de confirmação.
- B)F, V, F, F, V.
Errada, porque a segunda afirmativa é verdadeira e a primeira não é a única incorreta; além disso, a última está errada pelo uso de ausculta como confirmação.
- C)F, F, V, V, V.
Errada, porque a primeira e a segunda afirmativas não ficam ambas falsas, e a quinta também está incorreta.
- D)F, V, V, V, F.
Certa, pois o registro em prontuário, a solicitação de radiografia para confirmar a posição e a investigação de possível lesão são adequados, enquanto a ausculta com soro não confirma com segurança.
- E)V, V, F, F, F.
Errada, porque a segunda afirmativa é verdadeira e a primeira não é a correta, já que o encaminhamento médico pode ser necessário diante da intercorrência.
Gabarito: D
A Resolução COFEN nº 619/2019 organiza a atuação do enfermeiro na inserção, manutenção e manejo de sonda enteral em recém-nascidos, crianças e adolescentes. A ideia central é simples: se houver resistência, dúvida de posicionamento ou risco de lesão, você não “insiste na força”, porque sonda e esôfago não foram feitos para disputa de braço. O correto é interromper o procedimento, registrar o ocorrido e adotar medidas seguras para confirmar a posição e evitar complicações. No caso, como houve resistência a 10 cm da comissura labial e a sonda foi inserida apenas parcialmente, faz sentido encaminhar para confirmação por imagem e, se houver suspeita de lesão ou outra intercorrência, também providenciar avaliação médica. O registro em prontuário é obrigatório, porque tudo que acontece no procedimento precisa ficar documentado, inclusive a intercorrência. O ponto mais cobrado é que a confirmação por ausculta não é método confiável. Colocar 20 ml de soro e auscultar o estômago parece solução caseira de novela hospitalar, mas não é critério seguro para confirmar posicionamento em RN. A literatura e a prática segura privilegiam métodos validados, especialmente a radiografia quando há dúvida. Por isso, o gabarito é a letra D: a primeira afirmativa é falsa, a segunda é verdadeira, a terceira e a quarta também são verdadeiras no contexto de intercorrência e necessidade de confirmação/avaliação, e a quinta é falsa por usar método inadequado e volume impróprio para o recém-nascido.