AMB, 54 anos, foi conduzido para o pronto-socorro por conhecidos, após levar diversos golpes por faca devido a uma discussão com um vizinho. Apresenta pele fria e úmida, hipotensão, taquicardia, retardo do enchimento capilar e volume urinário diminuído. É possível inferir que estes são sinais e sintomas de:
- A)Hemorragia.
Correta, porque os sinais descritos são compatíveis com hemorragia e choque hipovolêmico por perda de volume sanguíneo.
- B)Tromboembolia pulmonar.
Errada, pois tromboembolia pulmonar geralmente cursa com dispneia súbita, dor torácica e hipoxemia, não com sangramento traumático e choque por perda volêmica.
- C)Infarto agudo do miocárdio.
Errada, já que infarto agudo do miocárdio costuma causar dor torácica e alterações cardiovasculares isquêmicas, não o quadro típico de trauma hemorrágico.
- D)Acidente Vascular Encefálico (AVE).
Errada, porque AVE se manifesta principalmente com sinais neurológicos focais, como fraqueza de um lado do corpo, alteração da fala ou assimetria facial.
Gabarito: A
Quando a pessoa sofre um ferimento por arma branca e começa a apresentar pele fria e úmida, hipotensão, taquicardia, enchimento capilar lento e pouca urina, o alerta é grande para perda importante de sangue. Esse conjunto de sinais é típico de choque hipovolêmico por hemorragia, porque o organismo tenta compensar a queda do volume circulante acelerando o coração e reduzindo a perfusão da pele e dos rins. Na prática da urgência, isso significa: pensar primeiro em sangramento ativo até prova em contrário. Em trauma penetrante, a hemorragia pode ser externa ou interna, e os sinais vitais alterados costumam aparecer cedo, antes mesmo de o paciente piorar de forma evidente. A urina diminuída é um achado clássico de má perfusão renal, reforçando a perda volêmica. Por isso, a alternativa A está correta. Hemorragia explica exatamente o quadro descrito: hipotensão por redução do volume circulante, taquicardia como resposta compensatória, pele fria e úmida por vasoconstrição periférica e oligúria por baixa perfusão renal. É o tipo de quadro que faz a equipe correr para controlar sangramento, acessar via venosa e iniciar reposição volêmica conforme protocolo. As demais alternativas não combinam com esse padrão. Tromboembolia pulmonar costuma dar dispneia súbita, dor torácica e hipóxia; infarto agudo do miocárdio traz dor torácica e alterações isquêmicas; AVE aparece com déficit neurológico focal. Aqui o cenário é bem mais de sangramento e choque do que de evento trombótico ou neurológico.