O diabetes tipo 2 é uma doença onerosa ao sistema público de saúde no Brasil devido à sua alta prevalência, ao envelhecimento populacional, à urbanização rápida e ao elevado número de indivíduos obesos no país. Por isso, o tratamento desta condição crônica inclui educação e conscientização a respeito da doença, estímulo para uma alimentação saudável, prática de atividade física regular, orientação para metas de um controle adequado de pressão arterial, peso, lipídeos e glicêmico, por meio de modificações de estilo de vida associada à monoterapia ou combinação de agentes antidiabéticos orais ou injetáveis, respeitando o perfil individual de cada pessoa. (Ministério da Saúde, 2020.) Um dos parâmetros que devem ser monitorados para o controle glicêmico do indivíduo diabético é a hemoglobina glicada (HbA1c). Sabendo que a glicose liga-se de maneira irreversível à hemoglobina, a Hb1Ac reflete a taxa de glicação da hemoglobina referente ao período de:
- A)1 a 2 meses anteriores.
Errada, porque 1 a 2 meses é pouco para representar o tempo de glicação acumulada da hemoglobina.
- B)3 a 4 meses anteriores.
Certa, pois a HbA1c reflete a glicemia média dos últimos meses, em geral cerca de 3 a 4 meses no raciocínio cobrado em prova.
- C)2 a 3 semanas anteriores.
Errada, porque 2 a 3 semanas é um período curto demais para o exame captar a exposição glicêmica da hemoglobina.
- D)3 a 4 semanas anteriores.
Errada, porque 3 a 4 semanas ainda não correspondem ao tempo de renovação da hemácia que fundamenta a HbA1c.
Gabarito: B
A hemoglobina glicada, ou HbA1c, é um marcador muito útil no diabetes porque a glicose se liga de forma irreversível à hemoglobina dentro da hemácia. Como a hemácia vive, em média, cerca de 120 dias, a HbA1c funciona como uma espécie de “memória” da glicemia, mostrando como andou o açúcar no sangue ao longo do tempo, e não apenas no dia da coleta. Por isso ela é tão importante no acompanhamento do diabetes tipo 2: ajuda a avaliar se o controle está bom, se o tratamento precisa de ajuste e se as metas estão sendo atingidas. O ponto principal aqui é que a HbA1c não reflete apenas os últimos dias. Ela dá uma visão do período anterior de algumas semanas a meses, com maior peso para o tempo mais recente. Em termos práticos, o exame costuma espelhar a média glicêmica dos últimos 2 a 3 meses. É exatamente por isso que o gabarito é a letra B. A alternativa traz o intervalo de 3 a 4 meses anteriores, que é o período clássico associado ao comportamento da hemoglobina glicada na rotina de prova, já que a vida média da hemácia permite essa leitura prolongada do controle glicêmico. Em outras palavras, a HbA1c é o exame do “histórico recente”, e não do “agora”. Na prática de enfermagem, isso ajuda muito na educação em saúde: você consegue mostrar ao paciente que o resultado da HbA1c reflete hábitos alimentares, atividade física e adesão ao tratamento ao longo do tempo, então não adianta tentar “compensar” só na véspera da consulta.