A Sífilis é considerada uma doença infecciosa, de caráter sistêmico e de evolução crônica. A Sífilis congênita é um agravo de notificação compulsória, sendo considerada como verdadeiro evento marcador da qualidade de assistência à saúde materno-fetal; requer intervenção imediata, para que se reduza ao máximo a possibilidade de transmissão vertical. Sobre tal doença, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)Na gestação, a Sífilis pode ser causa de abortamento tardio.
Correta: a sífilis na gestação pode causar abortamento tardio, além de outras complicações fetais e neonatais.
- B)O diagnóstico clínico, na fase secundária, é dado pela identificação do cancro duro.
Errada: o cancro duro é achado da sífilis primária, enquanto a fase secundária costuma ter rash, lesões mucosas e condiloma lata.
- C)A infecção do feto depende do estágio da doença na gestante; quanto mais recente a infecção materna, mais treponemas estão circulantes.
Correta: o risco de infecção fetal varia com o estágio da doença e é maior quando a infecção materna é mais recente.
- D)A realização do VDRL no início do terceiro trimestre de gravidez permite que o tratamento materno seja instituído e finalizado até trinta dias antes do parto.
Correta: o VDRL no início do terceiro trimestre permite tempo para tratar a gestante e finalizar o tratamento antes do parto.
Gabarito: B
A sífilis na gestação é um tema clássico de prova porque mistura clínica, prevenção e cuidado pré-natal. O ponto central é simples: quanto mais cedo a infecção na gestante e quanto menor o controle do tratamento, maior o risco de transmissão para o feto. Por isso, o rastreio com VDRL no pré-natal é tão importante e não pode ser esquecido como quem esquece o guarda-chuva e depois reclama da chuva. Na sífilis, cada fase tem sinais próprios. O cancro duro é típico da fase primária, não da secundária. Já na fase secundária, o mais esperado são manifestações sistêmicas, como rash cutâneo, lesões em mucosas e condiloma lata. É exatamente por isso que a alternativa B está incorreta: ela trocou o achado da fase primária pela fase secundária. Em gestante, a sífilis pode causar abortamento tardio, natimorto, prematuridade e sífilis congênita. A transmissão vertical depende do estágio da doença materna e tende a ser maior quando a infecção é mais recente, porque há mais treponemas circulantes. Isso sustenta a gravidade do caso e a necessidade de tratar logo. Quanto ao pré-natal, a testagem no início do terceiro trimestre ajuda a garantir tempo hábil para tratar a gestante e concluir o esquema pelo menos 30 dias antes do parto, reduzindo risco de transmissão ao bebê. Esse cuidado é reforçado pelas diretrizes do Ministério da Saúde para sífilis na gestação e sífilis congênita.