O rastreamento do câncer do colo de útero é uma tecnologia da atenção primária; os profissionais de enfermagem atuantes nesse nível de atenção devem conhecer o método, a periodicidade e a população-alvo recomendados, sabendo, ainda, orientar as mulheres sobre o preparo para realização do exame. Sobre o exame Papanicolau, o técnico de enfermagem de família deverá orientar que:
- A)As gestantes não devem realizar tal exame devido ao aumento no risco de abortamento e parto prematuro.
Errada, porque a gestação não é contraindicação para o Papanicolau, embora a coleta deva ser feita com cuidado e quando houver indicação.
- B)Relações sexuais, com ou sem o uso de preservativos, devem ser evitadas nos cinco dias que antecedem a coleta de material para o exame.
Errada, porque a orientação usual é evitar relações sexuais nas 48 horas anteriores, e não por cinco dias.
- C)O exame pode ser realizado durante o período menstrual, pois a presença de sangue no material coletado não prejudica o diagnóstico citopatológico.
Errada, porque o exame não deve ser realizado durante a menstruação, pois o sangue pode prejudicar a qualidade da amostra e a interpretação citológica.
- D)O exame de ultrassonografia intravaginal deve ser evitado nas 48 horas anteriores à coleta do material devido à necessidade do uso de gel para a introdução do transdutor.
Certa, porque o ultrassom intravaginal pode deixar gel e interferências locais que comprometem a coleta, sendo orientado evitar nas 48 horas anteriores.
Gabarito: D
O exame de Papanicolau, ou citopatológico do colo do útero, é um clássico da atenção primária e vem sempre com uma regrinha de preparo para não “bagunçar a leitura” da lâmina. A ideia é coletar células do colo em condições ideais, sem interferências como sangue menstrual, lubrificantes, cremes vaginais, duchas ou qualquer coisa que atrapalhe a amostra. Na prática, o profissional de enfermagem orienta que a mulher evite relações sexuais, uso de produtos vaginais e exames intravaginais nas 48 horas anteriores à coleta. Isso inclui o ultrassom transvaginal, porque ele costuma usar gel e manipulação vaginal, o que pode alterar o material coletado e comprometer a avaliação citopatológica. Por isso, a alternativa D está correta: o exame de ultrassonografia intravaginal deve ser evitado nas 48 horas anteriores ao Papanicolau. Não é frescura de protocolo, é capricho técnico para não gerar material ruim e, de quebra, evitar resultado inconclusivo ou necessidade de repetir o exame. Vale lembrar ainda que gestantes podem realizar o exame quando indicado, e a menstruação é motivo para adiar a coleta, já que o sangue pode prejudicar a leitura da lâmina. Em concursos, a banca costuma cobrar exatamente essas orientações de preparo, que são bem alinhadas às recomendações do Ministério da Saúde e do INCA para rastreamento do câncer do colo do útero.