Considerando que quantificar o risco do paciente hipertenso, ou seja, desenvolver doença cardiovascular em algum período de tempo da sua vida é parte essencial do processo de acompanhamento destes indivíduos e que tal ação pode nortear estratégias preventivas e de tratamento de complicações, sobrea a estratificação de risco cardiovascular nesta população é possível afirmar que há uma relação causal, linear e contínua entre o aumento da pressão arterial e o risco de doença cardiovascular:
- A)Apenas no sexo feminino, em todas as idades e na raça negra.
Errada, porque a relação entre pressão arterial e risco cardiovascular não ocorre apenas no sexo feminino, nem se limita a raça negra.
- B)Em ambos os sexos, em todas as idades e todos os grupos étnicos.
Certa, porque o aumento da pressão arterial se associa de forma causal, linear e contínua ao risco cardiovascular em ambos os sexos, em todas as idades e em todos os grupos étnicos.
- C)Em ambos os sexos, nos indivíduos acima de 40 anos e na raça negra.
Errada, porque não existe restrição dessa relação apenas para maiores de 40 anos ou para a raça negra.
- D)Apenas no sexo feminino, nos indivíduos acima de 40 anos e em todos os grupos étnicos.
Errada, porque a relação não se restringe ao sexo feminino nem depende de idade acima de 40 anos.
Gabarito: B
Na estratificação de risco cardiovascular do paciente hipertenso, a ideia central é simples: quanto maior a pressão arterial, maior o risco de eventos como infarto, AVC e insuficiência cardíaca. E esse efeito não aparece como uma exceção rara ou limitada a um grupo específico. Ele é uma relação causal, linear e contínua, isto é, o risco sobe de forma progressiva conforme a pressão aumenta. Por isso, a avaliação do hipertenso não pode ficar restrita ao número da PA da consulta. Você precisa olhar o conjunto: idade, sexo, tabagismo, diabetes, colesterol, lesão de órgão-alvo e outros fatores que mudam o risco global. Esse raciocínio é usado nas diretrizes clínicas para orientar a intensidade do tratamento e da prevenção. O gabarito está correto porque essa relação entre aumento da pressão arterial e maior risco cardiovascular vale para ambos os sexos, em todas as idades e em todos os grupos étnicos. O que muda entre as pessoas não é a existência do risco, mas o tamanho do risco absoluto em cada contexto clínico. Na prática, isso ajuda a evitar uma armadilha comum: achar que só certos grupos "pagam a conta" da hipertensão. Não. A pressão alta machuca o sistema cardiovascular em geral, e por isso o acompanhamento tem de ser precoce, contínuo e individualizado.