O Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Brasil tem avançado a cada ano, a fim de proporcionar melhor qualidade de vida à população com a prevenção de doenças. Tal programa contempla os Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIEs), que foram criados em novembro de 2000 por meio da Portaria nº 464/2000 e que tem por objetivo beneficiar uma parcela especial da população brasileira que, por motivos biológicos, é impedida de usufruir dos imunobiológicos disponíveis na rede pública ou necessita de outros imunobiológicos especiais, tais como pessoas portadoras de imunodeficiência congênita, infectados pelo HIV, portadores de doenças neurológicas, cardiopatas, pneumopatas, doenças hematológicas, dentre outros, bem como apoiar a investigação de casos suspeitos de eventos adversos pós-vacinação. Os profissionais de saúde também são contemplados pelos CRIEs, e devem ser protegidos das doenças infecciosas por intermédio da vacinação, uma vez que têm significativa probabilidade de contrair ou transmitir doenças como hepatite B, por exemplo. Dentro deste contexto e em relação à vacinação dos profissionais de saúde contra a hepatite B, assinale a afirmativa INCORRETA.
- A)O esquema vacinal pré-exposição corresponde a três doses: 0; 1; e, 6 meses.
Certa: o esquema vacinal pré-exposição da hepatite B é de 3 doses, em 0, 1 e 6 meses.
- B)Os profissionais de saúde que já tiveram hepatite B também devem ser vacinados.
Errada: quem já teve hepatite B não deve ser vacinado automaticamente, porque a conduta depende da avaliação sorológica e da imunidade já adquirida.
- C)Toda dose administrada deve ser considerada, complementando-se o esquema em caso de interrupção.
Certa: doses anteriores válidas devem ser aproveitadas, completando-se o esquema sem reiniciá-lo.
- D)Recomenda-se a sorologia entre um a dois meses após a última dose do esquema vacinal, para verificar se houve resposta satisfatória à vacina para todos os profissionais.
Certa: a sorologia anti-HBs deve ser feita 1 a 2 meses após a última dose para verificar resposta vacinal, especialmente em profissionais expostos.
- E)Para a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) ocupacional a material biológico, o profissional já vacinado com as doses recomendadas e resposta vacinal conhecida e adequada não precisa receber a vacina.
Certa: se o profissional já foi vacinado com esquema completo e tem resposta vacinal adequada comprovada, não há necessidade de nova vacina na PEP ocupacional.
Gabarito: B
A vacinação contra hepatite B é uma das medidas mais importantes para os profissionais de saúde, porque o risco de exposição a sangue e material biológico faz parte da rotina de quem trabalha na assistência. No esquema de pré-exposição, a regra geral é mesmo aplicar 3 doses, nos intervalos de 0, 1 e 6 meses, e depois conferir se a pessoa respondeu bem à vacina. Por isso, a sorologia anti-HBs é recomendada entre 1 e 2 meses após a última dose, especialmente para profissionais com risco ocupacional, porque não basta vacinar - é preciso saber se a proteção foi construída. Se houver interrupção do esquema, não se começa tudo do zero: conta-se a dose já aplicada e completa-se o que falta. Já na profilaxia pós-exposição, se o profissional já foi vacinado corretamente e tem resposta vacinal comprovada, em geral não precisa repetir vacina, porque ele já está protegido. Isso evita excesso de doses e segue a lógica dos protocolos do PNI e das orientações do Ministério da Saúde. O ponto central da questão é a alternativa B. Quem já teve hepatite B não é, por regra, alguém que deva ser automaticamente vacinado de novo. O correto é verificar a situação imunológica: se houve infecção pregressa com cura, a pessoa tende a ter marcadores de infecção passada e imunidade natural, não havendo indicação rotineira de vacinação. A banca cobrou justamente essa pegadinha clássica: confundiu doença pregressa com necessidade de reforço vacinal. Em termos práticos, para hepatite B o raciocínio é simples: vacina para quem não está imunizado, sorologia para conferir resposta quando indicado, e conduta pós-exposição conforme o histórico vacinal e sorológico. O cuidado com o profissional de saúde é parte do pacote de segurança ocupacional, e o CRIE entra como apoio para situações especiais e populações com necessidades específicas.