O rastreamento é a realização de testes diagnósticos em pessoas assintomáticas, a fim de estabelecer o diagnóstico precoce (prevenção secundária), com o objetivo de reduzir a morbimortalidade do agravo rastreado (GATES, 2001; WILSON; JUNGNER, 1968). Diferentemente de outros rastreamentos, o rastreamento das ISTs não identifica apenas uma pessoa; ao contrário, estará sempre ligado a uma rede de transmissão. Quando não identificado e tratado o agravo na(s) parceria(s), este se perpetua na comunidade e expõe o indivíduo à reinfecção, caso não se estabeleça a adesão ao uso de preservativos. O rastreamento de HIV e Sífilis é recomendado para os seguintes subgrupos populacionais, EXCETO:
- A)Semestralmente para pessoas que usam álcool e outras drogas.
Certa, porque pessoas que usam álcool e outras drogas fazem parte dos grupos prioritários para rastreamento periódico de HIV e sífilis.
- B)Em pessoas com diagnóstico de tuberculose ou hepatites virais.
Certa, porque o diagnóstico de tuberculose ou hepatites virais é indicação para ampliar a investigação de HIV e sífilis.
- C)Anualmente entre adolescentes e jovens (menor ou igual a trinta anos).
Certa, porque adolescentes e jovens sexualmente ativos são grupo recomendado para testagem regular, em geral anual.
- D)Idealmente no primeiro e segundo trimestre em gestantes, durante o pré-natal.
Errada, porque na gestação o rastreamento deve ocorrer no início do pré-natal e ser repetido em outro momento recomendado, e não especificamente no primeiro e segundo trimestre.
Gabarito: D
Rastreamento de HIV e sífilis na Atenção Básica serve para pegar o problema antes dos sintomas aparecerem, porque nessas ISTs o diagnóstico cedo muda muito o jogo. E aqui tem um detalhe importante: não basta testar a pessoa, muitas vezes é preciso olhar a rede de transmissão, porque parceiro não tratado vira combustível para reinfecção e manutenção do agravo na comunidade. Na prática do SUS, alguns grupos merecem testagem periódica, como pessoas que usam álcool e outras drogas, pessoas com outras ISTs, tuberculose ou hepatites virais, além de adolescentes e jovens sexualmente ativos. A ideia é aumentar a chance de diagnóstico precoce onde o risco é maior e onde o rastreamento faz mais diferença. Nas gestantes, porém, o esquema clássico do pré-natal para HIV e sífilis não é "primeiro e segundo trimestre" como a alternativa diz. O recomendado é testar no início do pré-natal e repetir mais adiante na gestação, geralmente no terceiro trimestre, além de outras oportunidades conforme o risco e a rede de cuidado. Por isso a alternativa D está errada. Então o ponto central da questão é este: as outras opções trazem subgrupos indicados para rastreamento, mas a D troca o momento correto da testagem na gestante. Em prova, essa troca de trimestre costuma ser a casca de banana favorita da banca.