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Enfermagem · CONSULPLAN · 2023

Questão comentada de Enfermagem

Desde a Conferência de Alma-Ata, em 1978, diversos autores vêm propondo definições sobre a Atenção Primária à Saúde (APS). A APS Renovada (OPAS, 2005), conforme a Organização Panamericana de Saúde (OPAS), deve constituir a base dos sistemas nacionais de saúde por ser a melhor estratégia para produzir melhorias sustentáveis e maior equidade no estado de saúde da população. A APS pode ser definida como: um conjunto de valores direito ao mais alto nível de saúde, solidariedade e equidade – um conjunto de princípios responsabilidade governamental, sustentabilidade, intersetorialidade, participação social, dentre outros e como um conjunto indissociável de elementos estruturantes – atributos – do sistema de serviços de saúde: acesso de primeiro contato, integralidade, longitudinalidade, coordenação, orientação familiar e comunitária e competência cultural. Nos últimos anos, principalmente no Brasil, a definição operacional da APS sistematizada por Starfield (1992) vem sendo muito utilizada, inclusive pelo Ministério da Saúde. (Disponível em: Manual do Instrumento de Avaliação da Atenção Primária à Saúde – Primary Care Assessment Tool – PCATool-Brasil.) O Ministério da Saúde utiliza a definição operacional da Atenção Primária à Saúde (APS) estabelecida pelos atributos de Starfield (2001) nos serviços de APS. Mediante o exposto e de acordo com os conceitos dos atributos, é INCORRETO inferir que:

Gabarito: A

A Atenção Primária à Saúde, na visão de Starfield, é organizada por atributos essenciais: acesso de primeiro contato, longitudinalidade, integralidade e coordenação do cuidado, além dos derivados, como orientação familiar e comunitária e competência cultural. Na prática, isso quer dizer que a APS não é só “atender na porta de entrada”, mas acompanhar a pessoa ao longo do tempo, resolver o que for possível e articular o restante da rede quando necessário. O ponto mais cobrado é a coordenação do cuidado: ela exige que a APS acompanhe o usuário de forma contínua, integre informações e organize os encaminhamentos. Não é uma coordenação “solta”, feita por profissionais alternados sem referência clara, nem com foco exclusivo em um pedaço do problema. O cuidado precisa ser global, integrado e com responsabilização pela trajetória do paciente. Por isso o gabarito é a alternativa A, porque ela distorce esse atributo ao sugerir que a coordenação pode ocorrer sem continuidade real, por vários profissionais de modo alternado, e ainda afirma que não se prioriza o atendimento global. Isso contraria a lógica da APS e a definição operacional usada pelo Ministério da Saúde, baseada em Starfield e no PCATool. As demais alternativas descrevem, ainda que com redação um pouco pesada, ideias compatíveis com os atributos da APS: porta de entrada, integralidade e orientação familiar. Em provas da CONSULPLAN, fique atento a frases que trocam “continuidade e integração” por “revezamento sem vínculo”, porque aí mora a pegadinha.

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