A Rede de Cuidados em Saúde Mental, Crack, Álcool e outras Drogas é uma forma de atendimento, fruto de um longo processo de luta social que culminou com a Reforma Psiquiátrica, em 2001. Seu principal objetivo está na mudança do modelo de tratamento excludente, opressiva e reducionista, na tentativa de construir um sistema de assistência orientado pelo princípio fundamental do SUS; assinale-o.
- A)Institucionalização com visitas familiares agendadas.
Errada, porque visitas familiares agendadas mantêm a lógica institucional e não expressam o cuidado comunitário e territorial proposto pela Reforma Psiquiátrica.
- B)Intensificação medicamentosa seguida de internação.
Errada, pois reforça a centralidade da medicação e da internação, modelo que a rede de saúde mental busca substituir por cuidado multiprofissional e em liberdade.
- C)Convívio com a família e a comunidade, valorizando a desinstitucionalização.
Certa, porque valoriza a desinstitucionalização e o convívio com família e comunidade, em sintonia com a Reforma Psiquiátrica e a Lei 10.216/2001.
- D)Isolamento social enquanto o paciente se encontrar em tratamento medicamentoso.
Errada, porque o isolamento social contraria o princípio de cuidado em liberdade e de reinserção social do usuário.
Gabarito: C
A questão cobra um dos pilares da Reforma Psiquiátrica e da Rede de Atenção Psicossocial: sair da lógica do isolamento e da exclusão para cuidar da pessoa em seu território, com vínculos e direitos preservados. Antes, o modelo manicomial tratava a pessoa como alguém a ser afastado da vida social; hoje, a proposta é exatamente o contrário: inserir, acolher e acompanhar. O SUS trabalha com os princípios da universalidade, integralidade e, aqui especialmente, da atenção em liberdade, com cuidado comunitário e articulação com a família e a rede social. Isso aparece na política de saúde mental e na Lei 10.216/2001, que redireciona o modelo assistencial e prioriza tratamento menos segregador, com base na desinstitucionalização. Por isso, a alternativa C está correta: ela traduz o cuidado em convívio com a família e a comunidade, valorizando a desinstitucionalização. Em outras palavras, o paciente não deve ser jogado para longe da sociedade, mas acompanhado de forma humanizada, próxima e contínua. As demais opções retomam a velha lógica do isolamento, da internação como resposta principal e do afastamento social, que são justamente o que a Reforma Psiquiátrica tentou superar. Na prova, sempre desconfie de alternativas que cheiram a "trancar e medicar" como solução mágica.