Frequentemente é indicada a monitorização da pressão arterial sistêmica invasiva, através da inserção de um cateter em uma artéria periférica, por meio de punção percutânea, conectado a um transdutor de pressão, a fim obter a monitorização da pressão arterial sistêmica (sistólica, diastólica e média). O auxiliar de enfermagem, enquanto membro da equipe de saúde, exerce cuidados nessa área sob supervisão do enfermeiro. São considerados cuidados de enfermagem aos pacientes portadores dessa monitorização invasiva, EXCETO:
- A)Manter o frasco de SF 0,9% na bolsa com pressurização a 300 mmHg (adulto e pediátrico).
Está correta, pois o sistema com SF 0,9% deve permanecer pressurizado, geralmente a 300 mmHg, para manter a coluna fluida e evitar refluxo sanguíneo.
- B)Manter nivelado o diafragma do transdutor na altura do 5º espaço intercostal e linha hemiclavicular.
Está errada, porque o transdutor deve ser nivelado no eixo flebostático, e não no 5º espaço intercostal na linha hemiclavicular.
- C)Caso haja suspeita de obstrução do cateter, não lavar o cateter com SF0,9% por meio de pressão. Nesse caso, deve-se tentar primeiramente a aspiração; se não for obtido sucesso, pode-se remover o cateter.
Está correta, pois diante de suspeita de obstrução não se deve fazer lavagem forçada; primeiro tenta-se aspiração e, se não houver sucesso, a conduta deve ser avaliada pela equipe responsável.
- D)Calibrar (zerar) o sistema, fechando o three ways distal em direção para o cliente e, ainda, abrir para o ambiente. Acionar o dispositivo de calibragem do monitor, conforme as instruções do equipamento. Após calibração, liberar o transdutor para o cliente e fechar para ambiente.
Está correta, pois a calibração (zeragem) exige fechar o sistema para o paciente e abrir para o ambiente, seguindo depois as instruções do monitor.
Gabarito: B
A monitorização arterial invasiva é muito usada na UTI porque dá uma leitura contínua e precisa da pressão arterial, especialmente em pacientes graves, instáveis ou em uso de drogas vasoativas. Mas esse “luxo” tecnológico cobra capricho da equipe: sistema pressurizado, conexões íntegras, zero bem feito e transdutor na altura correta. Um detalhe fora do lugar e o número já começa a contar uma história errada. O ponto mais cobrado é a referência anatômica do transdutor. O zero do sistema deve ficar alinhado ao eixo flebostático, que corresponde ao 4º espaço intercostal, na linha axilar média, ao nível do átrio direito. É esse posicionamento que permite medir a pressão sem distorção por diferença de altura. Por isso, a alternativa B está errada: ela coloca o transdutor no 5º espaço intercostal e na linha hemiclavicular, que não é o ponto de referência padrão para a monitorização invasiva da pressão arterial. As demais condutas estão compatíveis com a prática de enfermagem: solução fisiológica em sistema pressurizado, técnica adequada de zeragem/calibração e cautela diante de suspeita de obstrução do cateter. Em UTI, o detalhe manda mais que o discurso bonito. Se o transdutor está fora da posição correta, o valor pode ficar falsamente alto ou baixo, e isso pode bagunçar a conduta da equipe inteira. Na prática assistencial e nos manuais de monitorização hemodinâmica, a referência clássica é sempre o eixo flebostático. É um daqueles conteúdos em que a banca adora trocar a localização anatômica por uma parecida, para ver quem estava realmente atento.