Em pacientes com hanseníase, é imprescindível avaliar a integridade da função neural no momento do diagnóstico, na ocorrência de estados reacionais e na alta por cura (término da poliquimioterapia). Assinale a alternativa CORRETA sobre a abordagem do paciente com hanseníase.
- A)O exame neurológico compreende a inspeção, a palpação/percussão, a avaliação funcional (sensibilidade, força muscular) dos nervos. A partir dele, podemos classificar o grau de incapacidade física e psicológica.
Errada: o exame neurológico avalia sensibilidade, força e nervos periféricos, mas não classifica incapacidade psicológica, e sim incapacidade física.
- B)O exame deve ser feito na sequência frente-costas. Isso ajuda o profissional a sistematizar uma rotina de exame e registro
Errada: a sequência frente-costas pode ser usada como organização do exame clínico, mas não é o ponto central da abordagem neurológica na hanseníase.
- C)Os troncos nervosos periféricos que podem ser acometidos na hanseníase são: trigêmeo (podem causar alterações na face, nos olhos e no nariz); mediano (podem causar alterações nos braços e nas mãos); fibular (podem causar alterações nas pernas e nos pés).
Errada: os nervos citados podem ser acometidos, mas a alternativa simplifica e traz associações inadequadas, além de não representar a abordagem completa da avaliação neurológica.
- D)A avaliação neurológica pode ser realizada para auxiliar no diagnóstico de casos com sinais cutâneos discretos da doença, com testes de sensibilidade inconclusivos, pois achados de perdas funcionais focais e assimétricas à avaliação neurológica não corroboram para o diagnóstico de hanseníase
Errada: perdas funcionais focais e assimétricas na avaliação neurológica corroboram, e não afastam, a suspeita de hanseníase.
- E)Também a cada mês durante o tratamento, mesmo se não houver queixas, a avaliação neurológica deverá ser realizada.
Certa: a avaliação neurológica deve ser repetida mensalmente durante o tratamento, mesmo sem queixas, para detectar precocemente alterações neurais e prevenir incapacidade.
Gabarito: E
Na hanseníase, o ponto-chave é não olhar só a pele: você precisa acompanhar a função dos nervos periféricos desde o diagnóstico, durante as reações hansênicas e também na alta por cura. Isso porque a doença pode causar perda de sensibilidade, fraqueza muscular e deformidades mesmo quando as lesões cutâneas parecem discretas. Em outras palavras, a pele pode até “falar baixo”, mas o nervo pode estar gritando, e é exatamente isso que a avaliação neurológica busca detectar. Essa avaliação inclui inspeção, palpação e percussão dos nervos periféricos, além do teste funcional com sensibilidade e força muscular. Quando há alteração, o profissional consegue classificar o grau de incapacidade física, o que orienta conduta, prevenção de sequelas e acompanhamento. A hanseníase tem esse detalhe importante: o dano neural pode ser silencioso no começo e, por isso, a vigilância precisa ser repetida. Por isso o gabarito é a letra E. As diretrizes do Ministério da Saúde para hanseníase orientam a realização da avaliação neurológica no diagnóstico e também periodicamente durante o tratamento, em geral mensalmente, mesmo sem queixas, para identificar precocemente neurite, perda de sensibilidade e risco de incapacidade. Isso é essencial para evitar que o paciente só seja percebido quando a sequela já apareceu. Na prática, a prova quer ver se você lembra que hanseníase não é apenas doença de manchas na pele. O acompanhamento funcional do nervo é rotina obrigatória, não algo que se faz só quando o paciente reclama.