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Enfermagem · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Enfermagem

Suponha que um médico esteja trabalhando em uma equipe de saúde da família e se defronte com a seguinte situação: o agente comunitário de saúde (ACS) da microárea 2 informa, em reunião de equipe, que uma família de 20 pessoas migrantes, refugiadas e indígenas (primeiro idioma: específico da etnia indígena; segundo idioma: espanhol), chegou recentemente ao Brasil e está em situação de rua no território dessa microárea, e ele, o ACS, não sabe o que fazer. Seu município não tem equipe de consultório na rua ou distrito sanitário especial indígena (DSEI). Com base na Política Nacional de Atenção Básica (Portaria n.º 2.436/2017) e na Lei n.º 8.080/1990, assinale a opção correta.

Gabarito: B

A Atenção Básica, pela PNAB (Portaria n.º 2.436/2017), trabalha com adscrição de território, vínculo, cuidado contínuo e busca ativa das famílias, inclusive quando há barreiras de idioma, cultura ou situação de vulnerabilidade. Isso significa que a equipe não deve “empurrar” o problema para outro órgão: ela precisa organizar o acesso e adaptar a abordagem ao caso concreto. Na situação descrita, a família é migrante, refugiada, indígena e está em situação de rua. A Lei n.º 8.080/1990 garante acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde, sem discriminação por nacionalidade, origem ou condição social. Então, o SUS deve atender essa família, e a equipe deve buscar estratégias para comunicação e acolhimento, como apoio de profissional que fale espanhol ou de mediador cultural, se disponível. Por isso, a visita da equipe de saúde da família ao domicílio improvisado ou ao local onde a família esteja é a conduta adequada, com objetivo de cadastramento, identificação das necessidades, construção do cuidado e articulação com a rede. Em linguagem de prova: a APS não espera a pessoa “se encaixar” no sistema, ela vai até onde a vida acontece. As outras alternativas escorregam em ideias erradas, como transferir responsabilidade para embaixada, restringir o cuidado a equipes especiais ou tratar estrangeiro como se tivesse acesso apenas pela saúde suplementar. No SUS, o princípio é simples e bonito: acesso universal, cuidado integral e sem frescura burocrática.

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