Assinale a opção correta ante saberes e práticas validados em assistência de enfermagem em gerontologia.
- A)O padrão-ouro do diagnóstico de doença de Parkinson é embasado no exame de neuroimagem.
Errada, porque o diagnóstico de doença de Parkinson é predominantemente clínico, e a neuroimagem não é o padrão-ouro.
- B)Toda infecção do trato urinário deve ser tratada, independentemente de apresentar ou não sintomas.
Errada, porque infecção urinária sem sintomas, em geral, não deve ser tratada de forma indiscriminada; bacteriúria assintomática tem exceções bem específicas.
- C)O uso de medidas farmacológicas e dietéticas que melhoram o estado clínico de idosos com insuficiência cardíaca descompensada faz com que estes deixem de ser considerados pacientes de alto risco para complicações cardiovasculares perioperatórias.
Errada, porque melhorar o estado clínico não elimina automaticamente o alto risco cardiovascular perioperatório do idoso com insuficiência cardíaca descompensada.
- D)A osteoporose é uma doença sintomática e a maioria dos seus portadores busca tratamento aos primeiros sinais da doença.
Errada, porque a osteoporose costuma ser silenciosa e muitas vezes só é descoberta após fratura ou exame de rastreio.
- E)É insuficiente usar isoladamente a idade como fator de triagem para unidade de terapia intensiva (UTI), assim como é recomendado reunir esforços para que o idoso seja tratado fora da UTI sempre que possível.
Certa, porque a idade isoladamente não é critério suficiente para triagem de UTI e a decisão deve considerar avaliação clínica global, funcional e prognóstica.
Gabarito: E
Em geriatria e gerontologia, a idade por si só não deve ser usada como critério isolado para definir conduta, especialmente quando se fala em internação em UTI. O que importa é o conjunto: estado funcional, comorbidades, fragilidade, gravidade do quadro e possibilidade de reversibilidade. Em outras palavras, nem todo idoso é automaticamente "caso de UTI", mas também não existe regra de barrar leito só porque a pessoa é idosa. A lógica assistencial moderna é individualizar. O idoso pode se beneficiar muito de tratamento intensivo quando há indicação clínica, mas sempre com avaliação cuidadosa de riscos e benefícios. Ao mesmo tempo, quando houver alternativa segura fora da UTI, o cuidado fora desse ambiente pode ser preferível, porque a UTI também traz riscos importantes, como delirium, infecções e perda funcional. É justamente isso que a alternativa E traduz: não basta olhar a idade; é preciso reunir critérios clínicos mais amplos para decidir sobre UTI. A ideia de tratar fora da UTI sempre que possível não é um abandono, e sim uma estratégia de cuidado racional, centrada no paciente e na segurança. As demais alternativas trazem afirmações clássicas de prova que parecem plausíveis, mas estão erradas: diagnóstico de Parkinson não é confirmado por neuroimagem de rotina, bacteriúria assintomática não é tratada em todos os casos, e osteoporose costuma ser silenciosa, o que faz muitos pacientes descobrirem a doença só após fratura.