Um homem de 25 anos de idade foi levado ao serviço de emergência em decorrência de um capotamento de carro. No local do acidente, a equipe de resgate identificou que o homem teve perda de sangue e estava com pressão sistólica de 80 mmHg e frequência cardíaca de 120 bpm. Foi puncionado acesso venoso e foram infundidos cerca de 2 litros de solução fisiológica isotônica nele. Na emergência, ele apresentou pressão arterial de 80 mmHg × 40 mmHg e frequência cardíaca de 130 bpm. Nessa situação hipotética, a fisiopatologia mais adequada à condição do paciente é
- A)excesso de histamina liberada no sangue.
Errada, porque excesso de histamina sugere vasodilatação e aumento de permeabilidade, típico de reação anafilática, e não o quadro de hemorragia traumática descrito.
- B)diminuição do controle simpático do tônus dos vasos sanguíneos.
Errada, porque a diminuição do controle simpático do tônus vascular leva a vasodilatação, enquanto aqui o problema principal é perda de volume circulante por sangramento.
- C)diminuição contratilidade do miocárdio.
Errada, porque a queda da contratilidade do miocárdio é mais compatível com choque cardiogênico, não com choque hipovolêmico após perda sanguínea.
- D)pré-carga cardíaca insuficiente.
Certa, porque a hemorragia reduz o volume intravascular e o retorno venoso, causando pré-carga insuficiente, queda do débito cardíaco e hipotensão.
Gabarito: D
Neste caso, o quadro é de choque hipovolêmico após trauma com perda sanguínea importante. A pista principal é bem direta: pressão baixa, taquicardia e história de sangramento após capotamento. Quando o volume circulante cai, o problema não é, primeiro, o coração "ficar fraco" nem um vasodilatador mágico aparecer do nada. O que está faltando mesmo é sangue dentro do sistema para manter o enchimento das câmaras cardíacas. Em fisiologia, isso significa redução da pré-carga, isto é, menos retorno venoso chegando ao coração. Com menos volume para encher os ventrículos, cai o débito cardíaco e a pressão arterial despenca. O organismo tenta compensar com taquicardia e vasoconstrição simpática, mas, se a perda é grande, essas respostas não dão conta. Por isso, a alternativa D é a melhor. O paciente recebeu 2 litros de soro fisiológico, mas continuou hipotenso e taquicárdico, o que reforça que o problema principal segue sendo a hipovolemia e a pré-carga insuficiente. Em trauma, esse raciocínio é clássico: primeiro pense em volume perdido, depois em falha de bomba ou de tônus vascular. Em linguagem de prova, isso é a cara do choque hemorrágico/hipovolêmico, e não de vasodilatação alérgica ou depressão miocárdica primária.