No período pós-operatório, o paciente está suscetível a complicações de várias ordens e, em especial, à trombose venosa profunda (TVP). Assinale a opção que apresenta o tratamento profilático instituído para paciente pós-operatório de cirurgia abdominal com múltiplos fatores de risco.
- A)Compressão pneumática externa intermitente e meias elásticas em combinação com heparina de baixo peso molecular, como a enoxaparina.
Correta: combina compressão mecânica e anticoagulação profilática com heparina de baixo peso molecular, indicada para maior risco de TVP no pós-operatório.
- B)Elevação dos membros inferiores e agentes fibrinolíticos, a exemplo da varfarina injetável.
Errada: elevação dos membros pode ajudar, mas varfarina não é agente fibrinolítico e não é a medida profilática padrão imediata nesse contexto.
- C)Uso de coxim na região poplítea, mantendo as pernas fletidas, e uso de bolsas de calor alternadas com frio na panturrilha.
Errada: coxim na região poplítea e pernas fletidas favorecem estase venosa, além de calor alternado não ser profilaxia de TVP.
- D)Estímulo à permanência do paciente no leito e incentivo a deixar suas pernas pendentes na cama, para melhorar a circulação.
Errada: o repouso prolongado no leito aumenta o risco de trombose, e deixar as pernas pendentes não é conduta preventiva adequada.
Gabarito: A
No pós-operatório, a preocupação não é só com dor e curativo: a imobilidade, o trauma cirúrgico e a resposta inflamatória aumentam muito o risco de trombose venosa profunda (TVP). Em cirurgia abdominal com múltiplos fatores de risco, a profilaxia costuma combinar medidas mecânicas e farmacológicas, porque um cuidado isolado pode ser pouco para um paciente de maior risco. As medidas mecânicas ajudam a aumentar o retorno venoso e a reduzir a estase nas pernas. Já a heparina de baixo peso molecular, como a enoxaparina, atua na prevenção da formação de trombos. Essa combinação é clássica em paciente cirúrgico com risco elevado, salvo contraindicações como sangramento ativo ou risco hemorrágico importante. É por isso que a alternativa A está correta: compressão pneumática externa intermitente e meias elásticas, somadas à heparina de baixo peso molecular, representam uma estratégia profilática adequada para TVP no pós-operatório abdominal com múltiplos fatores de risco. Em linhas gerais, o raciocínio é simples: menos estase, menos trombo. As demais alternativas trazem condutas inadequadas ou até perigosas. Varfarina não é fibrinolítico, coxim na região poplítea piora a circulação, e manter o paciente preso ao leito vai na contramão da prevenção. Na prática e na prova, lembre: em prevenção de TVP, mobilização precoce e profilaxia mecânica/farmacológica são o caminho, não o repouso passivo.