Um paciente adulto chegou não responsivo e com respiração anormal para atendimento no setor de emergência de um hospital. Seu pulso não foi detectado e as manobras de ressuscitação cardiorrespiratórias foram iniciadas, instalando-se rapidamente o monitor com desfibrilador. Com relação a essa situação hipotética, assinale a opção correta.
- A)No caso de fibrilação ventricular, aplica-se o choque mantendo manobras de ressuscitação por mais dois minutos. Se esse mesmo ritmo permanecer, novo choque deverá ser aplicado.
Certa: na fibrilação ventricular, a conduta é desfibrilar e retomar imediatamente a RCP por cerca de 2 minutos antes de nova checagem do ritmo.
- B)Se for constada assistolia, deve-se aplicar o choque mantendo manobras por mais de cinco minutos, revertendo para fibrilação atrial, utilizando-se atropina venosa.
Errada: assistolia não é ritmo chocável, não se usa choque nem atropina para reverter para fibrilação atrial.
- C)Se for constado ritmo sinusal, deve-se aplicar lidocaína na dose de 1 mg/kg e manter manobra na taxa de 30:2 (compressão/ventilação).
Errada: ritmo sinusal não é indicação de lidocaína, e a relação 30:2 é usada na RCP básica, não para tratar um ritmo sinusal.
- D)No caso de ausência de atividade elétrica, deve-se aplicar o choque com carga inicial de 100 J. Se o ritmo permanecer, é recomendado administrar amiodarona.
Errada: ausência de atividade elétrica (assistolia/AESP) não é tratada com choque inicial de 100 J nem com amiodarona como primeira medida.
Gabarito: A
Em parada cardiorrespiratória, o detalhe que manda é o ritmo visto no monitor. Se o ritmo for chocável, isto e, fibrilação ventricular ou taquicardia ventricular sem pulso, voce desfibrila e volta imediatamente para a RCP por cerca de 2 minutos antes de reavaliar o ritmo. O raciocínio é simples: o choque ajuda a “desorganizar” a atividade elétrica caótica, mas sem compressões logo depois, a perfusão despenca de novo. Por isso a alternativa A está correta. Ela descreve exatamente a conduta para fibrilação ventricular: aplicar o choque e manter as manobras de ressuscitação por mais 2 minutos, com nova análise do ritmo se ele persistir. Esse ciclo faz parte dos algoritmos de suporte básico e avançado de vida e é o padrão ensinado nas diretrizes de ressuscitação da American Heart Association, adotadas na prática de emergência. Agora, um ponto que sempre cai: assistolia e atividade elétrica sem pulso não recebem choque. Nesses casos, o tratamento é RCP de alta qualidade, adrenalina e busca de causas reversíveis. Choque só entra quando o ritmo é chocável. É aquela clássica pegadinha de concurso: monitor bonito não significa ritmo que precisa de desfibrilação. Em resumo: choque para fibrilação ventricular e taquicardia ventricular sem pulso; depois, compressões por 2 minutos; reavaliação; se continuar chocável, novo choque. Se for assistolia ou AESP, nada de choque. É o tipo de questão em que saber ler o monitor vale ouro.