No que diz respeito aos aspectos de vigilância epidemiológica e à doença causada pelo novo coronavírus (covid-19), assinale a opção correta.
- A)No início do ano de 2020, após confirmação da transmissão comunitária do novo coronavírus no Brasil, foram criados o Sistema de Vigilância de Síndromes Respiratórias e uma rede de Vigilância Sentinela de Síndrome Gripal (SG), a fim de realizar o controle dessa importante infecção respiratória aguda, causada pelo SARS-CoV-2.
Errada, porque os sistemas de vigilância de síndromes respiratórias e a vigilância sentinela de síndrome gripal já existiam e não foram criados apenas após a transmissão comunitária no Brasil.
- B)O teste sorológico ELISA, que indica a presença de IgA, é suficiente para estabelecer infecção por SARS-CoV-2.
Errada, porque ELISA com IgA isoladamente não basta para fechar diagnóstico de infecção por SARS-CoV-2, já que a sorologia não é o melhor teste para fase aguda e depende do contexto clínico e temporal.
- C)Na cidade de Wuhan, a partir de amostras de lavado broncoalveolar coletadas em um grupo de pacientes com pneumonia de causa desconhecida, identificou-se o SARS-CoV-2, que é um betacoronavírus pertencente ao subgênero Sarbecovírus, da família Coronaviridae, configurando-se como o sétimo coronavírus a infectar seres humanos.
Certa, porque o SARS-CoV-2 foi identificado em Wuhan em amostras de lavado broncoalveolar, é um betacoronavírus do subgênero Sarbecovirus e foi considerado o sétimo coronavírus humano conhecido.
- D)A transmissibilidade do SARS-CoV-2 ocorre facilmente entre profissionais de saúde expostos a procedimentos médicos que gerem aerossóis, independentemente de eles estarem usando máscaras do tipo N95 ou PFF2.
Errada, porque o uso de máscara N95 ou PFF2 reduz o risco de transmissão em procedimentos com aerossóis, e não o torna independente dessas medidas de proteção.
Gabarito: C
A vigilância epidemiológica serve para detectar, monitorar e controlar doenças na população, organizando notificações, investigação de casos, confirmação diagnóstica e acompanhamento de surtos. Em doenças respiratórias, isso ganha ainda mais importância, porque um agente novo pode se espalhar rápido e exigir resposta coordenada. No caso da covid-19, o Brasil já utilizava estratégias de vigilância para síndromes gripais e respiratórias, que foram ajustadas e ampliadas ao longo da pandemia. A alternativa C está correta porque o SARS-CoV-2 foi identificado em Wuhan, inicialmente a partir de amostras de lavado broncoalveolar de pacientes com pneumonia de causa desconhecida. Trata-se de um betacoronavírus do subgênero Sarbecovirus, da família Coronaviridae. Além disso, ele foi reconhecido como o sétimo coronavírus capaz de infectar seres humanos, somando-se aos coronavírus humanos já conhecidos. Na prática, a confirmação de infecção por SARS-CoV-2 não depende de um único detalhe sorológico isolado, e sim do contexto clínico-epidemiológico e do método laboratorial adequado para o momento da doença. É por isso que a banca costuma cobrar muito a diferença entre teste molecular, teste de antígeno e sorologia. Cada um tem sua hora, e usar o teste errado é pedir para a prova sorrir de lado. Então, quando a questão fala da origem viral e da classificação do agente, ela está indo direto ao ponto clássico da covid-19. O resto das alternativas mistura cronologia, interpretação de testes e uso de EPI, o que é exatamente o tipo de armadilha que a CESPE adora colocar na mesa.