De acordo com o teórico e historiador teatral Jean-Jacques Roubine, Adolphe Appia, (1862-1928), Edward Gordon Craig, (1872-1966), são dois grandes propulsores da revolução cenográfica no âmbito do teatro moderno. Marque a alternativa que apresente as contribuições de Appia para a cenografia.
- A)Adolphe Appia foi um dos primeiros a dar-se conta das amplas possibilidades poéticas da luz elétrica, explorando suas possibilidades de criar formas, volumes e sombras de modo sugestivo.
Certa, porque sintetiza a principal contribuição de Appia: o uso expressivo da luz elétrica para criar formas, volumes e sombras na cena.
- B)Adolphe Appia formula uma concepção arquitetônica da cenografia, visando preencher o espaço cênico de quadros bidimensionais, objetos pesados, realistas e amplos.
Errada, porque atribui a Appia uma cenografia pesada, bidimensional e realista, que vai na direção oposta de suas propostas.
- C)Adolphe Appia recusou totalmente o palco italiano, buscando desenvolver cenografias que valorizassem, sobretudo, os espaços alternativos e urbanos, como ruas e praças.
Errada, porque Appia não defendia a recusa total do palco italiano nem a substituição por espaços urbanos, como ruas e praças.
- D)Adolphe Appia explorava as relações entre cinema e teatro, utilizando projeções fílmicas sobre o palco, no início do século XX.
Errada, porque o uso de projeções fílmicas no teatro não é a marca de Appia, e sim uma ideia ligada a outras experiências cênicas posteriores.
- E)Adolphe Appia e o arquiteto alemão Walter Gropius, (1883-1969), desenvolveram, conjuntamente, o Teatro Total, isto é, um espaço cênico móvel, dinâmico e mecanicamente tecnológico, a fim de oferecer várias perspectivas e transformações para o público.
Errada, porque o Teatro Total e a parceria com Walter Gropius não são contribuições de Appia, mas de outra vertente do teatro moderno.
Gabarito: A
Adolphe Appia foi um dos nomes centrais da renovação da cena teatral no começo do século XX. Ele reagiu contra o palco como simples fundo decorativo e passou a pensar o espaço cênico como algo vivo, em que ator, luz e volumes dialogam o tempo todo. Em vez de telas pintadas que fingem profundidade, Appia valorizou a tridimensionalidade, os planos, as escadas e, principalmente, a iluminação como elemento criador de atmosfera e significado. O ponto forte de Appia foi perceber que a luz elétrica não servia só para clarear o palco, mas para modelar formas, destacar corpos, criar sombras e sugerir ritmos visuais. Isso ajudou a romper com a cenografia estática e ilusionista do teatro tradicional. Em outras palavras: a luz deixou de ser coadjuvante e virou quase uma personagem da cena. Por isso, a alternativa A está correta. Ela resume exatamente essa contribuição de Appia ao destacar o uso poético da luz elétrica para construir volumes, formas e sombras. Já as demais opções descrevem ideias de outros movimentos ou autores, como cenografia arquitetônica realista, teatro de rua, uso de cinema no palco ou o chamado Teatro Total. Na doutrina teatral, Appia é lembrado como um dos grandes reformadores da encenação moderna, ao lado de Edward Gordon Craig. Se a questão falar em profundidade, luz expressiva e espaço cênico pensado como composição, acenda o alerta: o nome de Appia costuma estar por perto.