Analise a definição a seguir. Trata-se de uma poética da dimensão sensível do corpo que suscita em absoluta singularidade uma experiência sensível com objetos, lugares, condições de existência, seres, comportamentos, ideias, pensamentos e conceitos, desacelerando o tempo para que o corpo possa vaguear e coletar impressões, sensações, se deixando invadir pelo saber sensível. O trecho caracteriza a noção de
- A)belo.
Errada, porque “belo” é uma ideia ligada à beleza e ao juízo estético, não à experiência sensível do corpo descrita no enunciado.
- B)fruição.
Errada, porque fruição é o prazer ou a apreciação de uma obra, mas o texto destaca sensação e percepção corporal, não apenas fruir.
- C)estética.
Errada, porque estética é o campo de reflexão sobre arte e beleza, enquanto o trecho trata da experiência sensível e corporal em si.
- D)estesia.
Certa, porque estesia é a experiência sensível, a percepção pelo corpo e o contato singular com o mundo, exatamente como o texto descreve.
- E)contemplação.
Errada, porque contemplação sugere observação atenta e passiva, e o enunciado fala de uma vivência sensível mais ampla e corporal.
Gabarito: D
A palavra-chave aqui é a ideia de um corpo que sente antes de explicar, antes de classificar, antes de “dar nome” ao que percebe. O enunciado descreve uma experiência sensível, singular, de contato com o mundo, em que o sujeito se deixa afetar por objetos, lugares, ideias e situações. Isso é justamente o campo da estesia: a capacidade de perceber pelo sensível, pela experiência corporal e perceptiva. Em linguagem de concurso, vale lembrar a diferença entre alguns termos parecidos. Estética costuma remeter ao estudo do belo e da arte; fruição é o prazer de apreciar uma obra; contemplação é um olhar mais atento e demorado; beleza é uma qualidade associada ao belo. Já estesia tem a ver com sensação, percepção e sensibilidade. É o lado vivo da experiência, aquele momento em que o corpo “capta” o mundo. Por isso o gabarito é a letra D. O trecho fala em “dimensão sensível do corpo”, “experiência sensível” e “saber sensível”, ou seja, uma vivência estética no sentido de percepção encarnada, não de simples apreciação do belo. A banca usa esse vocabulário para testar se voce reconhece o conceito de estesia, muito presente nas discussões sobre arte, corpo e educação estética. Em termos doutrinários, a noção aparece em autores e referenciais que tratam da educação sensível e da experiência estética como formação do sujeito por meio da percepção, da emoção e da relação com o mundo. Aqui, o foco não é a obra em si, mas a maneira como o corpo vive e sente essa relação.