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Educação · FGV · 2025

Questão comentada de Educação

Leia o trecho a seguir. O que há em comum entre um cavalo de pau e uma serpente de fibras? Segundo Ernst Gombrich, o cavalinho de pau é bastante trivial e, geralmente, contenta-se em ocupar seu lugar no canto do quarto de uma criança, sem nutrir ambições estéticas. Detesta afetações e assim mostra-se satisfeito com seu corpo de madeira e sua cabeça talhada toscamente. A serpente de fibras é igualmente corriqueira, podendo ser encontrada em todas as cozinhas dos índios Wayana. Nas lides cotidianas este utensílio presta-se a uma única função, espremer a massa de mandioca ralada, para a qual foi justamente confeccionado. Na perspectiva indígena, esses dois atributos, especificidade de uso e propriedade funcional, sobretudo quando conjugados, constituem a condição máxima de valorização e beleza de um artefato. Adaptado de VELTHEM, L. H. 2009. Mulheres de cera, argila e arumã: princípios criativos e fabricação material entre os Wayana. In: Mana, 15, 2009, p. 213. Sobre as estéticas que fundamentam as artes indígenas, é correto deduzir que, na cultura ameríndia,

Gabarito: C

A questão trabalha uma ideia muito importante nas artes indígenas: o valor estético não fica preso só à “beleza” no sentido ocidental clássico, como simetria perfeita, harmonia formal ou enfeite pela arte. Em muitas culturas ameríndias, um objeto pode ser belo justamente porque funciona bem, porque foi bem feito e porque sua materialidade revela cuidado, técnica e adequação ao uso. No trecho, o cavalo de pau e a serpente de fibras são apresentados como artefatos comuns, ligados ao cotidiano. Mesmo sem “pose de obra de museu”, eles podem ser valorizados por sua funcionalidade e pela qualidade da feitura. Isso mostra que, na cultura ameríndia, o belo não está separado do útil: a beleza aparece na relação entre matéria, forma, técnica e uso social do objeto. É por isso que o gabarito é a letra C. Ela resume bem a ideia de que a beleza está relacionada à materialidade e aos modos de apreensão e definição dos artefatos produzidos nas aldeias e comunidades. Em outras palavras: o objeto é belo porque faz sentido naquele universo cultural, e não porque obedece obrigatoriamente a um padrão europeu de arte autônoma. Esse tipo de leitura conversa com a antropologia da arte e com autores como Gombrich e pesquisas sobre estética indígena, que mostram que a categoria de beleza pode variar conforme a cultura. Em prova, quando aparecer arte indígena, desconfie de respostas que tentem impor padrão de “beleza universal” ou critério puramente subjetivo.

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