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Educação · FGV · 2025

Questão comentada de Educação

Fonte: https://www.andreparente.net/entremargens/51z1rjo4mv8eqkwaqto2pmyxs8cetz Leia a descrição da videoinstalação Entre Margens (2004), de André Parente: A videoinstalação é composta por duas imagens projetadas, uma em frente à outra: uma retrata um rio, a outra, uma paisagem. No vídeo que mostra o rio, o observador pode perceber a passagem do tempo por meio de mudanças de velocidade da filmagem do rio, sobreposições, edições e saltos temporais introduzidos pelo cineasta. O vídeo que mostra a paisagem permanece imutável, sendo apresentado como se fosse uma fotografia. Em determinado momento, um movimento de câmera de uma das telas faz com que as duas imagens coincidam, formando uma panorâmica infinita da paisagem. Um elemento novo aparece – um jovem que surge de lugar nenhum e corre. A imagem oposta inicia seu movimento circular em direção ao lado esquerdo, e assim o que era terra vira rio. Durante o tempo da instalação, o som ambiente (as águas do rio) e a voz do narrador (com trechos de “A Terceira Margem do Rio”, de Guimarães Rosa) fortalecem a experiência poética. Adaptado de https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/1234- andre-parente Nesta instalação, utilizando tecnologia digital, o artista

Gabarito: E

A videoinstalação é uma linguagem artística que mistura cinema, artes visuais e tecnologia para criar uma experiência para quem frui a obra. Aqui, o foco não é contar uma história linear, mas provocar percepção, deslocamento e reflexão. O espectador não fica só “vendo” uma imagem: ele entra num ambiente em que tempo, espaço, som e movimento se cruzam, quase como se a obra respirasse junto com ele. Em Entre Margens, André Parente usa projeções, montagem de vídeo, sobreposições e movimentos de câmera para embaralhar a percepção do rio, da paisagem e da passagem do tempo. A obra cria uma sensação de trânsito entre margens, entre o estático e o móvel, entre o real e o imaginado. Isso é bem típico da arte contemporânea: menos ilustração da realidade e mais experiência sensível e poética da realidade. Por isso o gabarito é a letra E. Ela acerta ao destacar que a obra produz imersão e faz o fruidor sentir a transitoriedade do tempo, além de pensar a relação entre imagem, tecnologia e subjetividade. A presença do som, da narração literária e das imagens manipuladas reforça essa experiência, que não é apenas visual, mas também sensorial e interpretativa. Se você quiser uma regra de bolso: quando a questão fala em videoinstalação, desconfie de resposta que trate a obra como filme tradicional ou como mera reprodução da realidade. Em geral, a banca quer a ideia de experiência, percepção e linguagem híbrida, não só narrativa ou documento.

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