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Educação · FGV · 2023

Questão comentada de Educação

Nos anos 1980, afirmou-se a abordagem “Estética do Cotidiano”, cujos divulgadores foram Ivone Richter e Marcos Vilela, os quais propuseram um olhar sobre a realidade diária, considerando aspectos estéticos do entorno, da natureza e da cultura: Trabalhar com a estética do cotidiano no ensino das artes visuais supõe ampliar o conceito de arte e de experiência estética. Somente desta forma é possível combater os conceitos de arte oriundos da visão das artes visuais como ‘belas artes’, ‘arte erudita’ ou ‘arte maior’, em contraposição à ideia de ‘artes menores’ ou ‘artes populares’. A própria denominação de folclore e artesanato já vem carregada de preconceito, uma vez que esse termo foi utilizado para representar a arte ‘do outro’, daquele que não tinha acesso às camadas mais eruditas da sociedade; e o termo artesanato tem sido vinculado à ideia da reprodução sem criação, ou sem uma maior perfeição técnica. Adaptado de Ivone Mendes Ritcher. Interculturalidade e Estética do Cotidiano no Ensino das Artes Visuais. Campinas, São Paulo, 2000, p. 11 Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir sobre a proposta metodológica “Estética do Cotidiano”. I. Amplia o conceito de arte e adota uma visão antropológica de cultura que dissolve as fronteiras entre arte popular erudita. II. Privilegia a multiculturalidade e contempla a possibilidade de que o cotidiano seja fonte de experiências estéticas. III. Relaciona a experiência estética com o reconhecimento do belo e do valor intrínseco da obra de arte. Está correto o que se afirma em

Gabarito: A

A proposta da “Estética do Cotidiano”, divulgada por Ivone Richter e Marcos Villela, nasce da ideia de que a experiência estética não mora só no museu, na obra consagrada ou no que a tradição chama de “alta arte”. Ela também está no entorno, na natureza, na cultura vivida e nos objetos do dia a dia. Em outras palavras: a beleza e a potência estética podem aparecer no que você vê, usa e experimenta diariamente. Por isso, a abordagem amplia o conceito de arte e critica as divisões rígidas entre arte erudita, popular, folclore e artesanato. O texto-base deixa isso bem claro ao apontar o preconceito embutido nessas classificações, especialmente quando tratam o fazer popular como algo menor ou sem criação. A base teórica dialoga com uma visão antropológica de cultura, isto é, cultura como modo de vida, e não como privilégio de elite. A afirmativa II também está correta porque essa proposta valoriza a multiculturalidade e entende que o cotidiano pode ser fonte legítima de experiências estéticas. Isso combina com a educação em artes visuais voltada para o reconhecimento da diversidade cultural e para a leitura crítica do mundo vivido. Já a afirmativa III erra o alvo, porque ela recoloca a experiência estética no eixo do “belo” e do valor intrínseco da obra de arte, exatamente o tipo de visão tradicional que a Estética do Cotidiano procura superar. Então, o gabarito A está correto: apenas I e II traduzem a proposta.

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