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Educação · FGV · 2023

Questão comentada de Educação

Recentemente, tem-se ampliado a configuração inclusiva da concepção de arte afro-brasileira, evitando-se a ideia de raça, pautando-se menos em marcações étnicas e mais por valores culturais africanos misturados aos demais nas complexas dinâmicas sociais brasileiras. Ou seja, em conjunções de arte, Brasil e África para além de raça e etnia. A arte afro-brasileira, pode remeter à cor da pele de africanos e afrodescedentes, e, portanto, a fenótipos, mas para ressaltar como, com sua heterogeneidade inclusiva, essa vertente permite ver um rico negrume multicor. CONDURU, R. Negrume multicor: arte, África e Brasil para além de raça e etnia. Acervo, 2011, v. 22, n. 2, p. 43. Adaptado. Com base no trecho, assinale a afirmativa que define corretamente a vertente artística afro-brasileira na perspectiva do autor citado.

Gabarito: A

A arte afro-brasileira não deve ser vista como um bloco fechado, como se existisse uma “arte de raça” pronta e separada do resto do Brasil. O trecho de Conduru aponta justamente o contrário: essa vertente nasce do encontro histórico entre África e Brasil, dentro das dinâmicas da diáspora africana e da escravidão, e vai se formando por misturas, trocas e permanências culturais. Isso significa que a marca afro-brasileira pode aparecer em temas, técnicas, símbolos, materiais, memórias e referências culturais de matriz africana, sem ficar presa apenas à cor da pele ou a uma identidade rígida. A ideia do autor é ampliar o olhar: ver a arte afro-brasileira como um campo plural, híbrido e inclusivo, um “negrume multicor”, como ele diz com boa dose de provocação poética. Por isso, a alternativa correta é a letra A. Ela acerta ao situar essa produção no processo histórico de contato entre cultura brasileira e africana, especialmente a partir da diáspora do povo africano escravizado. As demais alternativas estreitam demais o conceito e acabam transformando uma vertente ampla em algo exclusivo, rígido ou estereotipado. Em termos doutrinários, a leitura contemporânea da arte afro-brasileira valoriza a mistura cultural e a complexidade das identidades, evitando essencialismos. É a lógica do encontro e da reconstrução cultural, não a de uma categoria presa a um único traço biológico ou religioso.

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