Em 1991, a arte-educadora Ana Mae Barbosa lançou o livro A imagem no ensino da arte, divulgando a proposta de uma Abordagem Triangular, usada para valorizar o ensino de Artes nas escolas públicas. Para Ana Mae Barbosa, o ensino de Artes deve
- A)estar baseado no princípio da livre expressão, valorizando a intuição em detrimento de conhecimentos teóricos.
Errada, porque reduz o ensino de Arte à livre expressão e despreza a mediação teórica e a leitura crítica.
- B)constituir uma ferramenta para desenvolver habilidades artísticas inatas e revelar talentos criativos.
Errada, pois parte da ideia de talento artístico inato, enquanto a proposta de Ana Mae entende a Arte como conhecimento a ser construído.
- C)desenvolver uma cultura apreciativa, permitindo uma leitura crítica de imagens artísticas e do cotidiano.
Certa, porque expressa a valorização da leitura crítica de imagens artísticas e do cotidiano, eixo central da Abordagem Triangular.
- D)zelar pela não interferência no processo criativo do aluno, cujo aprendizado ocorre espontaneamente.
Errada, porque a aprendizagem em Arte não acontece de forma totalmente espontânea nem deve evitar a intervenção pedagógica.
- E)promover a aquisição de habilidades técnicas próprias a uma atividade educativa utilitarista.
Errada, pois adota uma visão tecnicista e utilitarista, incompatível com uma formação artística ampla e crítica.
Gabarito: C
A proposta de Ana Mae Barbosa ficou conhecida como Abordagem Triangular porque articula três movimentos que se alimentam mutuamente: fazer artístico, leitura de imagem e contextualização. A ideia central não é tratar Arte como dom nato, nem como pura livre expressão sem reflexão, mas como conhecimento que se aprende, se lê e se reconstrói com sentido. Em vez de deixar o aluno apenas “soltar a criatividade” no vazio, a aula de Arte deve formar olhar, repertório e pensamento crítico. Isso vale para obras de arte e também para as imagens do cotidiano, como propaganda, televisão, internet e fotografia. Por isso, o ensino de Artes deve desenvolver uma cultura apreciativa, isto é, a capacidade de observar, interpretar, comparar e discutir imagens com critério. O aluno não fica só “achando bonito ou feio”: ele aprende a ler a imagem, perceber intenções, contextos, símbolos e efeitos. Essa leitura crítica amplia a experiência estética e fortalece a formação cultural. O gabarito é a letra C porque ela traduz exatamente essa visão de Ana Mae Barbosa: a Arte na escola não serve apenas para produzir, mas também para compreender e analisar imagens artísticas e do cotidiano. É uma abordagem bem alinhada com a LDB, que valoriza a Arte como componente curricular obrigatório da educação básica, e com a perspectiva contemporânea de ensino que integra produção, fruição e contextualização. As demais alternativas retomam ideias antigas ou reducionistas, como a livre expressão sem mediação, o talento inato ou o tecnicismo. Na lógica da Abordagem Triangular, isso fica curto demais: Arte na escola não é só liberar o aluno, nem só treinar técnica, nem só “descobrir gênios”.