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Educação · FGV · 2023

Questão comentada de Educação

“A câmera digital, geralmente, tem uma definição bastante diferente da câmera fotográfica tradicional, mas proporciona ao aluno trabalhar essa ‘indefinição’ como elemento artístico tão consistente quanto a ‘definição’ da câmera tradicional. O scanner pode transferir para o computador tanto uma imagem já impressa quanto a imagem de objetos sobre ele depositados. A imagem reproduzida por fotocópia (xerox) pode direcionar para um trabalho em que o foco desejado seja o forte contraste, por exemplo. O vídeo coloca a imagem em movimento, podendo esse movimento tanto ser produzido pelo próprio objeto da imagem quanto pela sequência de tomadas de imagens estáticas. O computador abre as portas para um sem-número de capturas de imagens e informações via Internet.” Adaptado de PIMENTEL, Lucia Gouvêa. “Tecnologias contemporâneas e o ensino da Arte”. In: BARBOSA, Ana Mae (org.). Inquietações e mudanças no ensino da Arte [livro eletrônico]. São Paulo: Cortez, 2012. O trecho acima discorre sobre as potencialidades dos recursos tecnológicos para o ensino de arte, no que diz respeito à visualidade. Assinale a afirmativa que interpreta corretamente o que é afirmado no trecho.

Gabarito: D

O trecho defende uma ideia bem importante no ensino de arte: tecnologia não é só ferramenta neutra, mas um conjunto de meios que amplia formas de ver, captar, recortar, alterar e recombinar imagens. Repare que o texto cita câmera digital, scanner, xerox, vídeo e computador não para dizer que um substitui o outro, e sim para mostrar que cada recurso abre um caminho expressivo diferente. Em arte, a visualidade não depende apenas de “boa definição” ou de acabamento técnico; até a indefinição, o contraste, o movimento e a captura de imagens podem virar linguagem artística. É justamente por isso que a letra D está correta. A ideia central é que os recursos tecnológicos de cada tipo oferecem possibilidades expressivas únicas. A câmera digital pode valorizar a indefinição, o scanner pode transformar objetos em imagem, a xerox pode explorar contraste, o vídeo pode trabalhar movimento e o computador pode ampliar a pesquisa e a criação com imagens da internet. Em outras palavras: cada tecnologia abre uma porta diferente para criação e leitura de imagens. A banca quer que você perceba que o texto tem uma visão pedagógica e artística, não tecnicista. Não existe hierarquia simples do tipo “o mais moderno é sempre melhor”. O foco está na diversidade de linguagens e na ampliação do repertório visual do aluno. Isso conversa com a abordagem contemporânea do ensino de arte, que valoriza experimentação, autoria e leitura crítica das imagens. Se quiser guardar uma regra prática, pense assim: em arte, tecnologia boa é a que expande possibilidades de expressão, não a que impõe um padrão único. O texto inteiro caminha nessa direção, por isso o gabarito é a alternativa que reconhece a singularidade expressiva de cada recurso.

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