Em uma proposta didática, o docente de artes propõe a análise de obras do século XIX produzidas por Auguste François Biard, Jean-Baptiste Debret, Johann Moritz Rugendas e Paul HarroHarring que representam a comercialização de escravos. As afirmativas a seguir descrevem corretamente objetivos pertinentes dessa atividade didática, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Identificar as práticas e os meios de representação artística vigentes nessa conjuntura.
Correta, porque a atividade permite identificar os meios de representação e os padrões artísticos usados naquele contexto histórico.
- B)Refletir sobre a representação da condição social dos africanos e afrodescendentes escravizados no Brasil.
Correta, porque as obras possibilitam refletir criticamente sobre a escravidão e sobre a representação dos sujeitos escravizados.
- C)Historicizar os modos de tematizar a escravidão a partir de saberes e técnicas artísticas pós-iluministas.
Correta, porque a proposta envolve compreender como a escravidão foi representada por saberes e técnicas visuais ligados ao século XIX.
- D)Extrair dados fidedignos sobre a comercialização de escravos no contexto do Império brasileiro.
Errada, porque obras de arte são fontes históricas relevantes, mas não fornecem dados fidedignos por si sós como se fossem registros documentais diretos.
Gabarito: D
A questão trabalha com a leitura de imagens históricas como fonte de estudo em Artes e Educação, especialmente obras do século XIX que representam a escravidão e o tráfico de pessoas negras no Brasil. Nesse tipo de atividade, o foco não é tratar a pintura como uma fotografia fiel da realidade, mas como um documento visual que expressa um olhar de época, com escolhas estéticas, ideológicas e políticas. Por isso, analisar Biard, Debret, Rugendas e Harro-Harring ajuda você a identificar técnicas, estilos, temas e a forma como a sociedade do período via a escravidão. Essas obras também permitem discutir a condição social de africanos e afrodescendentes escravizados, além de historicizar como a escravidão foi tematizada por artistas ligados ao contexto pós-iluminista e ao imaginário europeu sobre o Brasil. É o tipo de leitura que cruza arte, história e crítica social, como se a imagem dissesse mais do que mostra, e às vezes até o que tenta esconder. O gabarito é a letra D porque a atividade artística não tem como objetivo principal extrair dados fidedignos, no sentido de prova objetiva e documental, sobre a comercialização de escravos. A imagem pode ser uma fonte histórica importante, mas não substitui outros tipos de registro, como documentos administrativos, inventários, anúncios e relatos oficiais. Em termos didáticos, a obra serve para interpretação e problematização, não para virar 'exame de laboratório' da história. Na prática pedagógica, isso dialoga com a ideia de que a arte é fonte histórica e cultural, mas deve ser lida criticamente. Em concursos, a banca costuma valorizar exatamente essa distinção entre analisar representação e confundir representação com verdade literal.