No Rio de Janeiro, em 1961, foi criado o Centro Popular de Cultura (CPC), ligado à União Nacional de Estudantes. O CPC reuniu artistas de teatro, música, cinema, literatura e artes plásticas, com o objetivo de criar e divulgar uma “arte popular revolucionária”. O seu núcleo formador foi constituído por Oduvaldo Viana Filho, pelo cineasta Leon Hirszman e pelo sociólogo Carlos Estevam Martins. Para essa geração de artistas e intelectuais, fazer uma “arte popular revolucionária” significava
- A)considerar a arte enquanto uma linguagem própria, desvinculada e independente dos processos materiais.
Errada, porque o CPC não defendia a arte como linguagem desligada da realidade material, e sim como instrumento de intervenção social.
- B)entender o artista como um militante engajado, para quem a arte popular seria necessariamente uma arte política.
Certa, porque expressa a ideia de artista engajado e de arte popular com função política e transformadora.
- C)vincular as produções artístico-culturais ao debate político, sobretudo ao tema da utopia desenvolvimentista.
Errada, porque o foco central não era a utopia desenvolvimentista, mas a militância cultural e a crítica social por meio da arte.
- D)privilegiar o teatro para as classes populares, com peças simples e de fácil compreensão sobre o folclore brasileiro.
Errada, porque reduz o CPC a um teatro didático e folclórico, quando o movimento era mais amplo e politizado.
- E)defender o caráter didático e de entretenimento da comédia pastelão, que resgatava a tradição cênica popular.
Errada, porque o CPC não tinha como eixo a comédia pastelão nem o entretenimento puro, mas a politização da produção artística.
Gabarito: B
O Centro Popular de Cultura (CPC), ligado à UNE e surgido no início dos anos 1960, foi expressão de um momento em que muitos artistas e intelectuais entendiam a arte como parte da luta social e política. A ideia não era fazer arte só para “embelezar” o mundo, mas para intervir nele, dialogando com as contradições do país e com os projetos de transformação social que circulavam na época. Por isso, o CPC apostava numa produção cultural voltada para conscientização e mobilização. Nesse contexto, “arte popular revolucionária” não significava apenas usar linguagem simples ou falar do folclore. Significava colocar o artista como sujeito engajado, quase um militante, fazendo da obra um instrumento de crítica social. A arte deveria ser acessível ao povo, sim, mas com conteúdo político, ligada às lutas e aos debates sobre mudança estrutural da sociedade. É por isso que a alternativa B está correta: ela capta exatamente essa visão do artista engajado e da arte popular como arte política. As demais opções tentam puxar a discussão para outros lados, como autonomia estética, mero entretenimento ou simplificação didática, mas isso não traduz o espírito do CPC. Em termos de história das políticas culturais, esse debate aparece muito no Brasil do período pré-1964, quando cultura, desenvolvimento e transformação social andavam juntos na cabeça de muita gente. Depois do golpe, esse tipo de proposta foi duramente atingido, o que reforça ainda mais o caráter político daquele movimento.