A pedagogia de John Dewey está fundamentada em uma “filosofia da experiência”: Há uma conexão orgânica entre educação e experiência pessoal. Mas tudo depende da qualidade da experiência por que se passa. A qualidade da experiência depende de sua influência sobre experiências posteriores. Assim, o desafio do educador é a de dispor as coisas para que as experiências enriqueçam o educando e o armem para novas experiências futuras. Adaptado de DEWEY, J. Experiência e Educação. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1979, p. 13-16. A partir do trecho, é correto afirmar que o ensino de arte proporciona experiências estéticas, que
- A)capacitam os educandos a reconhecer a expressão do gênio de um artista.
Errada, porque reduz a Arte ao reconhecimento do "gênio" individual, uma visão romântica e pouco alinhada à experiência educativa defendida por Dewey.
- B)auxiliam a compreender a manifestação da forma pura da obra de arte.
Errada, porque fala em "forma pura" da obra de arte, ideia mais próxima de formalismos estéticos do que da experiência viva e formativa proposta por Dewey.
- C)permitem isolar objetos da vida cultural cotidiana de seu contexto de produção.
Errada, porque isolar a obra de seu contexto cultural contraria a perspectiva de Arte como experiência situada, social e histórica.
- D)exercitam a sensibilidade, mobilizando criticamente as faculdades sensoriais, emotivas e intelectuais.
Certa, porque a experiência estética em Arte envolve sensibilidade, emoção, percepção e reflexão crítica, exatamente como uma experiência educativa rica em Dewey.
- E)educam para a distinção e o refinamento da cultura geral dos estudantes.
Errada, porque trata a Arte como refinamento cultural elitizado, e não como experiência significativa que amplia a vivência e a aprendizagem do estudante.
Gabarito: D
John Dewey defende que educar não é só transmitir conteúdo, mas organizar experiências que tenham sentido para a vida do estudante. Para ele, a aprendizagem acontece quando a experiência vivida dialoga com novas experiências e amplia a capacidade de agir, pensar e refletir. Em outras palavras: não basta "passar pela atividade"; a experiência precisa ter qualidade educativa. No ensino de Arte, isso é muito importante, porque a arte não deve ser tratada como enfeite ou simples reprodução de modelos prontos. Ela deve envolver percepção, emoção, reflexão e criação, ajudando você a olhar criticamente para o mundo e para a própria vivência. Assim, a experiência estética em Arte não é passiva: ela mobiliza sentidos, sentimentos e pensamento ao mesmo tempo. É exatamente por isso que o gabarito é a letra D. Ao dizer que as experiências estéticas exercitam a sensibilidade e mobilizam criticamente as faculdades sensoriais, emotivas e intelectuais, a alternativa traduz bem a ideia de Dewey sobre experiência significativa e formativa. A experiência artística, nessa visão, enriquece o sujeito e prepara novas aprendizagens, inclusive fora da sala de aula. Essa leitura conversa com a tradição da educação estética em Arte, em que a fruição, a percepção e a criação são dimensões integradas. Na escola, isso aparece em documentos como a BNCC, que valoriza a Arte como campo de experiência, expressão e reflexão, e não como mera decoração curricular.