A relação entre os jogos e a arte contemporânea está cada vez mais forte e esse contato se dá tanto por intermédio de novas formas de interatividade e apresentação de tecnologias, como pela narrativa e contexto poéticos da obra. Além disso, artistas consagrados também têm utilizado o meio para apresentar novas produções ou até mesmo para repaginar trabalhos antigos em um novo formato. Assinale a afirmativa que descreve corretamente as relações entre a Gamearte e o ato de jogar.
- A)Ambos possuem natureza processual: o fenômeno do jogo é o ato de jogar em si, assim como a obra de Gamearte só se completa com a ação do público.
Certa, porque tanto o jogo quanto a Gamearte se realizam no processo de interação, dependendo da ação do participante.
- B)Enquanto a Gamearte pressupõe uma experiência estética e criativa, o videogame é um exercício que só pode ser realizado de forma mnemônica, regrada e repetitiva.
Errada, porque o videogame não é apenas repetição mnemônica e a Gamearte também pode ter experiência estética e criativa sem excluir o jogo.
- C)Ambos obedecem a impulsos emotivos, mas apenas a arte é elaborada através de processos imaginativos, cuja apreciação abre espaço para a contemplação do belo.
Errada, porque reduz o jogo a impulso emotivo e separa indevidamente a arte de processos imaginativos, quando ambos podem envolver criação e fruição estética.
- D)Enquanto a Gamearte não pode ser valorada, os jogos computacionais são produzidos para o circuito comercial e seu valor é estabelecido pela demanda.
Errada, porque a Gamearte pode sim ser valorada estética e culturalmente, e não fica fora de critérios de apreciação por ser digital ou interativa.
Gabarito: A
Gamearte e jogo se encontram num ponto central: os dois dependem da ação de quem participa. Não basta olhar de longe, porque a obra em Gamearte costuma ser processual, isto é, ela vai se realizando conforme o jogador interage com o sistema, toma decisões e altera o percurso da experiência. Em outras palavras, o público não é só espectador; ele entra na engrenagem da obra. Isso aproxima a Gamearte da própria lógica do jogo, que também não existe plenamente sem o ato de jogar. O jogo é acontecimento, experiência em movimento, regra em ação. Já na Gamearte, a dimensão estética e poética aparece justamente articulada a essa participação, unindo criação artística e interatividade digital. Por isso, a alternativa A está correta: ambos têm natureza processual. O jogo acontece no jogar, e a Gamearte só se completa com a participação do público. É a velha história do “não encoste na obra” que, aqui, vira quase o contrário: sem encostar, sem jogar, a obra nem termina de nascer. As demais alternativas erram ao opor arte e jogo de forma artificial, como se o videogame fosse só repetição mecânica ou como se a Gamearte fosse impossível de valorar. A crítica contemporânea da arte digital reconhece que essas obras têm valor estético, cultural e comunicativo, ainda que usem meios tecnológicos e interativos.