Para que seus alunos conhecessem melhor o Marabaixo, o docente de artes convidou Danniela Ramos, bisneta do Mestre Julião Ramos (precursor do Marabaixo no Amapá e líder negro no bairro do Laguinho), para uma oficina sobre o processo de composição poética de “ladrões”: canções compostas ao som das caixas de Marabaixo, que se apropriam de versos de outras canções e de acontecimentos do cotidiano, sendo executadas como “repentes” improvisados. A turma observou o canto e a dança, pôde entrevistar Danniela sobre sua trajetória e experimentou compor ladrões sobre suas experiências de vida. As afirmativas a seguir identificam objetivos pertinentes à atividade proposta, à exceção de uma. Assinale-a.
- A)Aprimorar nos alunos a compreensão da arte como cultura e do artista como ser social.
Certa, porque a atividade trabalha a arte como expressão de cultura e mostra o artista como sujeito inserido em contexto social e histórico.
- B)Propiciar o contato com testemunhos vivos das artes afrobrasileiras.
Certa, porque a presença de Danniela Ramos permite o contato com uma testemunha viva de uma tradição afro-brasileira.
- C)Compreender a memória como meio de acesso a tradições não contempladas na historiografia tradicional.
Certa, porque a memória e o relato oral funcionam como acesso a saberes tradicionais que nem sempre aparecem na historiografia oficial.
- D)Reconhecer a oralidade dos versos do Marabaixo como parte da tradição dos griots africanos.
Certa, porque a oralidade dos versos dialoga com a tradição africana dos griots, marcadores da transmissão cultural pela palavra falada.
- E)Exercitar disputas poéticas para estudar o conceito de métrica e praticar a leitura de partituras.
Errada, porque a proposta não tinha foco em leitura de partituras nem em estudo técnico de métrica, mas em improviso, oralidade e criação poética coletiva.
Gabarito: E
A questão explora uma ideia central das práticas em artes: aprender arte também é conhecer culturas vivas, suas memórias, seus sujeitos e suas formas de criação. No caso do Marabaixo, a atividade proposta foi bem rica porque juntou observação, entrevista, escuta, participação e criação, ou seja, o aluno não ficou só olhando uma obra pronta, mas entrou em contato com uma tradição cultural em movimento. Isso combina com uma abordagem de educação artística que valoriza a cultura popular, a oralidade, a memória e os saberes transmitidos entre gerações. Quando o docente convida uma representante da tradição e propõe que a turma componha seus próprios versos, ele aproxima a escola de uma experiência estética e histórica concreta, especialmente de matrizes afro-brasileiras. Por isso, A, B, C e D dialogam com os objetivos da atividade. Já a alternativa E escorrega feio no roteiro: ela fala em métrica e leitura de partituras como se o foco fosse estudo técnico-musical formal. Só que a proposta girou em torno de versos improvisados, oralidade, memória e criação poética, não de leitura musical escrita nem de disputa para medir rigor métrico. Em outras palavras, a atividade está mais para roda de cultura viva do que para aula de teoria musical com pauta e clave. Em concursos, a FGV costuma cobrar essa leitura pedagógica: identificar se a prática está alinhada à vivência cultural, à diversidade e à valorização de saberes tradicionais, e não a um ensino excessivamente escolarizado ou formalista.