O ato de mimetizar é inato aos homens desde a mais tenra infância e nisso diferem dos outros animais, porque são os mais miméticos e, por meio da mimesis, adquirem também os primeiros conhecimentos. ARISTÓTELES. Sobre a arte poética. Belo Horizonte: Autêntica, 2018, p. 37. No trecho, Aristóteles apresenta argumentos para pensar o estatuto da mimesis, em perspectiva
- A)antropológica e gnoseológica.
Correta: o trecho relaciona a mimesis à natureza humana e à formação do conhecimento, portanto a perspectiva é antropológica e gnoseológica.
- B)estética e metafísica.
Errada: o texto não discute beleza, forma artística ou essência do ser, mas sim a imitação como traço humano e meio de aprender.
- C)artística e política.
Errada: não há debate sobre função social da arte nem sobre organização da pólis; o foco é a imitação como capacidade humana e cognitiva.
- D)linguística e epistemológica.
Errada: o trecho não trata da linguagem nem da estrutura do conhecimento em sentido técnico, mas da mimesis como aprendizado por observação e reprodução.
- E)ética e pedagógica.
Errada: embora a imitação possa ter efeitos educativos, Aristóteles aqui não está enfatizando valores morais ou método pedagógico, e sim natureza humana e conhecimento.
Gabarito: A
Aristóteles está dizendo que a imitação, ou mimesis, não é um defeito secundário da arte: ela faz parte da natureza humana desde a infância. Antes mesmo de “saber teorizar”, a pessoa aprende observando, repetindo e reconhecendo formas, gestos e ações. É quase como se o ser humano viesse com um modo de aprender por cópia e reconhecimento embutido de fábrica, só que em versão filosófica. Por isso, o trecho traz dois olhares ao mesmo tempo. Primeiro, um olhar antropológico, porque fala do homem em sua condição natural, diferenciando-o dos outros animais pela capacidade mimética. Segundo, um olhar gnoseológico, porque liga a mimesis à aquisição de conhecimento: é por meio dela que se obtêm os primeiros saberes. É exatamente isso que torna a alternativa A correta. Aristóteles não está discutindo aqui estética no sentido moderno, nem política, nem ética; ele está explicando o que a mimesis revela sobre a natureza humana e sobre como conhecemos o mundo. Em sua obra Poética, a imitação aparece como algo próprio do humano e como via de aprendizagem e reconhecimento. Então, se a questão pergunta em que perspectiva Aristóteles pensa o estatuto da mimesis, a resposta é dupla: homem e conhecimento. É a velha ideia aristotélica de que aprendemos vendo e imitando, só que sem precisar levantar a mão na aula.