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Educação · FGV · 2022

Questão comentada de Educação

O Grupo Música Viva (1938-52), criado por obra de H. J. Koellreutter, visou a instaurar uma nova ordem na música brasileira, em diálogo com a vanguarda internacional: “A música, traduzindo ideias e sentimentos na linguagem dos sons, é um meio de expressão; portanto, produto da vida social. MÚSICA VIVA, compreendendo este fato, combate pela música que revela o eternamente novo, isto é: por uma arte musical que seja a expressão real da época e da sociedade. MÚSICA VIVA estimulará a criação de novas formas musicais que correspondam às ideias novas. MÚSICA VIVA, adotando os princípios de arteação, abandona como ideal a preocupação exclusiva de beleza; pois, toda a arte de nossa época não organizada diretamente sobre o princípio da utilidade será desligada do real”. Manifesto de 1946, assinado por H. Alimonda, Egídio de Castro e Silva, Guerra-Peixe, Eunice Katunda, H-J. Koellreutter, E. Krieger, G. Marcondes, S. Parpinelli, C. Santoro. Com base no trecho e em seus conhecimentos, assinale a afirmativa que caracteriza corretamente contribuições políticas e estéticas do Música Viva para a música moderna brasileira.

Gabarito: D

O Música Viva foi um grupo decisivo na modernização da música brasileira porque colocou a composição em diálogo com a vanguarda europeia, especialmente com técnicas como o atonalismo e o dodecafonismo. A ideia central do manifesto era bem clara: a música não deveria ficar presa só à beleza tradicional, mas responder à vida social e às ideias novas da época. Em outras palavras, era uma postura de ruptura, não de conforto. Nesse contexto, o grupo funcionou como laboratório de experimentação e também como espaço de difusão de novas linguagens musicais. H. J. Koellreutter e vários compositores ligados ao movimento defenderam uma arte musical mais livre das formas consagradas, abrindo caminho para procedimentos modernos que depois marcariam a produção brasileira do século XX. Por isso, a alternativa D está correta: ela descreve exatamente a defesa da experimentação e da divulgação de novas técnicas composicionais, como as soluções atonais e dodecafônicas. César Guerra-Peixe é um bom exemplo desse ambiente de transição e pesquisa estética, ligado ao impulso renovador do Música Viva. As demais alternativas escorregam para outros projetos estéticos: umas falam de nacionalismo musical, outras de valorização da obra individual ou de questões que nem pertencem ao debate do grupo. Aqui, a chave é perceber que o Música Viva queria atualizar a música brasileira com a linguagem de vanguarda, e não apenas reafirmar tradições.

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