A proposição dos territórios da arte e cultura não está fechada, mas sinaliza estudos a respeito de conceitos, como professor propositor, mediação cultural, linguagens artísticas, forma e conteúdo, materialidades, patrimônio cultural, saberes estéticos e culturais, conexões transdisciplinares e processos de criação. Ainda deixa em aberto outros campos de saberes que o professor pode inventar se quiser “zarpar” por territórios ainda não explorados. (UTUARI, 2012.) A respeito do professor propositor, é correto afirmar que:
- A)Transmite suas ideias e obras escolhidas por ele, propondo fazeres baseados na reprodução de imagens.
Errada, porque reduz o trabalho do professor à transmissão e à reprodução de imagens, o que contraria a ideia de proposição e mediação cultural.
- B)Utiliza a abordagem diretiva, priorizando a transmissão da cultura popular, em detrimento da europeia e erudita.
Errada, porque fala em abordagem diretiva e oposição entre culturas, algo que não define o professor propositor nem a educação em arte contemporânea.
- C)Transmite saberes sobre técnicas artísticas, contextualiza obras de arte e sugere a apreciação, dando ênfase, unicamente, à aprendizagem teórica.
Errada, porque limita a aula à técnica e à teoria, deixando de lado a experimentação, o diálogo e a relação viva com a arte.
- D)Aprende e ensina de modo a ativar culturalmente obras de arte, abre espaços para diálogos entre jovens e artista, entre obras e apreciadores, entre a arte e a vida.
Certa, porque descreve um professor que media, provoca encontros e integra arte, cultura e vida em um processo ativo de aprendizagem.
Gabarito: D
O professor propositor não é aquele que fica apenas passando conteúdo pronto, como se a aula fosse uma vitrine fechada. Ele atua como alguém que provoca, media e cria situações para que os estudantes se aproximem da arte de forma viva, crítica e conectada com a realidade. Em vez de reduzir a aula a cópia ou recepção passiva, ele abre caminhos para experimentação, diálogo e criação. Nesse sentido, a ideia de professor propositor conversa com a mediação cultural e com uma educação em arte que valoriza o encontro entre obra, estudante, artista e contexto. A arte não entra na sala como peça de museu intocável, mas como experiência que pode ser lida, sentida, discutida e reinventada. Isso combina com a perspectiva de Ana Mae Barbosa e com a abordagem triangular, que articula fazer, apreciar e contextualizar, sem transformar a aula em mero treino técnico ou teoria seca. Por isso, o gabarito é a letra D. Ela descreve justamente esse professor que aprende e ensina ativando culturalmente as obras, criando espaços de conversa entre jovens e artistas, entre obras e apreciadores, e entre arte e vida. Em outras palavras: ele não entrega tudo mastigado, ele provoca o pensamento e faz a arte acontecer na relação. Se a banca fala em “territórios” e “zarpar”, já dá a pista: o professor propositor é o que amplia horizontes, não o que fecha a experiência em reprodução ou transmissão mecânica. É a aula como travessia, não como cartilha.