Para além da produção de artefatos culturais como cerâmica, máscaras e cestaria, artistas indígenas contemporâneos, como Jaider Esbell, Daiara Tukano, Denilson Baniwa, Arissana Pataxó, entre outros, apresentam manifestações estéticas que dialogam simultaneamente com o momento atual e com suas tradições. Suas produções artísticas são críticas que contemplam e exaltam a multiplicidade de sistemas cosmológicos e a diversidade das possibilidades de feitura. Tendo como referência esse tema, assinale a opção correta.
- A)Pinturas e esculturas podem ser considerados artefatos culturais, assim como geladeiras, carros e automóveis.
Certa: pinturas e esculturas podem ser entendidas como artefatos culturais, e objetos do cotidiano também podem carregar significado cultural.
- B)Artistas indígenas não estudam em cursos universitários de artes porque a arte que produzem é emanação natural de sua cultura originária.
Errada: artistas indígenas podem, sim, estudar em universidades e circular por espaços formais de formação artística.
- C)Artistas indígenas não podem fazer arte mediante o uso de objetos que não fazem parte de sua cultura.
Errada: a criação artística indígena contemporânea pode usar diversos materiais e linguagens, inclusive elementos não tradicionais.
- D)Dada a homogeneidade cultural indígena, não existem diferenças entre as manifestações estéticas produzidas pelos povos indígenas.
Errada: não há homogeneidade cultural indígena; existem բազմաթիվ povos, línguas, cosmologias e expressões estéticas diferentes.
- E)Quando o artista indígena identifica sua origem étnica como sobrenome, deixa de ser considerado um expoente da arte contemporânea brasileira.
Errada: a identidade étnica no nome não impede que o artista seja reconhecido como parte da arte contemporânea brasileira.
Gabarito: A
A questão trabalha uma ideia simples, mas muito cobrada: arte e cultura não ficam presas a uma caixinha única. Em Artes e em Educação, é importante lembrar que artefatos culturais podem ser objetos de uso, de ritual, de memória e também de expressão estética. Por isso, a produção indígena contemporânea não deve ser vista como algo “parado no tempo”, nem limitada ao que seria tradicional em sentido estreito. Artistas indígenas como Jaider Esbell, Daiara Tukano, Denilson Baniwa e Arissana Pataxó mostram justamente esse diálogo entre tradição e contemporaneidade. Eles usam pintura, performance, instalação, vídeo, ocupação de espaços institucionais e outros meios para afirmar identidade, cosmologias e crítica social. Ou seja, a arte indígena contemporânea é dinâmica e plural, e não uma cópia do passado. Nesse ponto, a alternativa A está correta porque reconhece que pinturas e esculturas também podem ser entendidas como artefatos culturais. A noção de artefato cultural é ampla: envolve qualquer produção humana carregada de sentido simbólico e cultural, inclusive objetos que, no uso comum, são vistos apenas como utilitários, como geladeiras, carros e automóveis. O valor não está só na função prática, mas no que esses objetos representam numa sociedade. As demais alternativas caem em estereótipos clássicos: negam a formação acadêmica de artistas indígenas, restringem sua criação a materiais “puros” da cultura de origem, fingem que todas as culturas indígenas são iguais e ainda tentam desqualificar a arte contemporânea pela assinatura étnica. Em resumo: a banca cobra que você fuja da visão folclorizante e enxergue a arte indígena como produção viva, crítica e contemporânea.