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Educação · CESPE/CEBRASPE · 2024

Questão comentada de Educação

Na obra Bichos (1960), a artista Lygia Clark buscou borrar os limites físicos entre o público e a obra, criando uma sequência de esculturas de placas de metal, com dobradiças como articulações, no sentido de provocar o público a mudar o posicionamento das placas, criando seu próprio “bicho”. “Na relação que se estabelece entre você e o ‘bicho’, não há passividade, nem sua, nem dele. Acontece uma espécie de corpo a corpo entre duas entidades vivas”, diz a artista. Internet:<portal.lygiaclarck.org.br> (com adaptações). Com relação à referida obra de Lygia Clark e sua produção artística em geral, assinale a opção correta.

Gabarito: A

Lygia Clark é um nome central da arte brasileira do século XX, especialmente quando a prova quer cobrar a passagem da obra contemplativa para a obra vivida. Em Bichos, a peça deixa de ser algo para ser apenas observado e passa a convidar o público a manipular, dobrar e reorganizar as placas de metal. Ou seja, a experiência estética vira participação. Isso amplia a fruição tradicional e também ressignifica a relação entre espectador e obra, que deixa de ser passiva. Esse é o coração da questão: a artista rompe a distância segura entre quem vê e o que é visto. Em vez de uma escultura fechada e estável, ela propõe uma obra que se transforma no contato com o público. A obra ganha quase um comportamento próprio, como se tivesse vida, exatamente como sugere a imagem do "corpo a corpo" citada no enunciado. Por isso, a alternativa A está correta: ao abrir sua obra à interferência do público, Lygia Clark amplia a experiência de fruição, isto é, muda a forma usual de apreciar arte. Ela não quer um espectador sentado na plateia do museu, mas alguém que entre na obra e a complete com sua ação. Essa ideia é muito associada à arte neoconcreta, da qual Lygia Clark é uma das principais representantes. As demais alternativas erram por misturar movimentos artísticos e por exagerar a interpretação da relação obra-público. Futurismo e surrealismo não correspondem ao projeto de Lygia Clark, e a obra não impõe uma única forma de relação, mas justamente abre possibilidades. Em prova CESPE/CEBRASPE, fique atento a isso: quando aparecer participação do público, pense em arte interativa, neoconcretismo e ruptura da passividade.

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