“Tudo é teatro!”. Essa era uma fala/provocação recorrente no discurso de Augusto Boal. Foi a partir desse ponto que ele desenvolveu suas ideias e seus projetos, bem como sua metodologia, denominada teatro do oprimido, na segunda metade do século XX. Com relação ao teatro do oprimido e à trajetória de seu criador, assinale a opção correta.
- A)Augusto Boal fez parte do Teatro Arena, onde desenvolveu os projetos Arena conta Zumbi, Arena conta Tiradentes e o Rei da Vela.
A alternativa mistura referências reais da trajetória de Boal com formulação imprecisa sobre autoria e projetos, o que a torna incorreta no padrão cobrado pela banca.
- B)O teatro do oprimido antagoniza a alienação e a passividade dos espectadores, tomados, em sua perspectiva, como sujeitos sociais e políticos.
Correta: o Teatro do Oprimido combate a passividade do espectador e o trata como sujeito social e político, capaz de intervir e refletir criticamente.
- C)A abordagem pedagógica desenvolvida por Augusto Boal inspirou Paulo Freire a criar a pedagogia do oprimido.
Errada: a relação de inspiração é inversa, pois Boal dialoga com Paulo Freire, e não o contrário.
- D)Teatro jornal, arco-íris do desejo, teatro legislativo, teatro pobre e teatro da crueldade são técnicas elaboradas por Augusto Boal durante suas investigações no âmbito do teatro do oprimido.
Errada: teatro pobre e teatro da crueldade não são técnicas de Boal, mas conceitos ligados a outros autores e outras correntes teatrais.
- E)No teatro do oprimido, os termos curinga e coringa, apesar da diferença de grafia, fazem referência à mesma função, que é atuação cruzada, em que um ator pode desempenhar mais de um papel.
Errada: curinga e coringa não significam a mesma função, e a descrição dada não corresponde à terminologia do Teatro do Oprimido.
Gabarito: B
Augusto Boal foi um dos grandes nomes do teatro político no Brasil, especialmente com o Teatro do Oprimido, criado para quebrar a lógica do espectador passivo. A ideia central é simples e poderosa: o público não fica sentado só assistindo, ele pensa, intervém, opina e pode virar protagonista da cena. Em vez de um teatro que “conversa sozinho”, Boal queria um teatro que provocasse ação social e consciência crítica. É por isso que a alternativa B está correta. No Teatro do Oprimido, o espectador deixa de ser apenas receptor e passa a ser sujeito social e político, capaz de refletir sobre sua realidade e ensaiar transformações. Isso combina com a famosa noção de “espect-ator”, que aparece na obra de Boal como síntese dessa participação ativa. Na trajetória de Boal, ele também atuou no Teatro de Arena, importante espaço de renovação do teatro brasileiro. Além disso, dialogou muito com Paulo Freire, porque ambos defendiam educação e arte como práticas de libertação, crítica e participação. O nome já entrega o espírito do método: não é teatro para decorar falas, é teatro para mexer com o mundo. Em resumo: Boal transforma o palco em espaço de debate, intervenção e consciência política. A banca costuma cobrar exatamente isso - a ruptura com a passividade e a valorização do sujeito como agente histórico.