O Estado Novo foi arquitetado como um Estado autoritário e modernizador que deveria durar muitos anos. No entanto, seu tempo de vida acabou sendo curto, pois não chegou a oito anos. Os problemas do regime resultaram mais da inserção do Brasil no quadro das relações internacionais do que das condições políticas internas do país. (Boris Fausto, História concisa do Brasil) No contexto apresentado no excerto, o “quadro das relações internacionais” refere-se à
- A)demissão de parte do ministério de Vargas quando, em meio à Segunda Guerra, o governo ditatorial estabeleceu um acordo com o Eixo, permitindo que esse bloco usasse o espaço marítimo do Brasil.
Errada, porque não houve aliança do Brasil com o Eixo nem uso do espaço marítimo brasileiro por esse bloco.
- B)pressão diplomática da Argentina para que o Estado brasileiro aderisse às forças aliadas, declarasse guerra aos países do Eixo e mandasse tropas para libertar o Norte da África das forças nazistas.
Errada, porque a Argentina não impôs essa pressão diplomática e o Brasil não foi à guerra para libertar o Norte da África por imposição argentina.
- C)deliberação da I Conferência Internacional de Estados Americanos determinando, apesar da discordância do Brasil, que todas as nações da América deveriam se manter neutras na Segunda Guerra.
Errada, porque a política das Américas na Segunda Guerra não foi de neutralidade geral, e sim de alinhamento progressivo aos Aliados.
- D)entrada do Brasil na Segunda Guerra, ao lado dos Aliados, provocando ação de opositores, que começaram a explorar a contradição entre a ditadura Vargas e o apoio do governo brasileiro às democracias.
Certa, porque a participação do Brasil ao lado dos Aliados expôs a contradição entre combater o fascismo no exterior e manter uma ditadura internamente.
Gabarito: D
O Estado Novo, de Getúlio Vargas, nasceu como uma ditadura centralizadora e modernizadora, mas acabou entrando em choque com o cenário internacional da Segunda Guerra Mundial. Isso porque o Brasil tentou manter uma posição ambígua no início, negociando com os dois lados, mas a pressão dos acontecimentos foi empurrando o país para o campo dos Aliados. O ponto decisivo foi justamente a participação brasileira ao lado das democracias contra o nazifascismo. Fica difícil sustentar em casa um regime autoritário enquanto, lá fora, o governo dizia combater ditaduras inimigas. Essa contradição virou munição política para os opositores de Vargas, que passaram a cobrar coerência entre o discurso externo e a prática interna. Além disso, a guerra trouxe mudanças importantes: aproximação com os Estados Unidos, envio da Força Expedicionária Brasileira e aumento da pressão por redemocratização. Em resumo, o Estado Novo não caiu só por problemas internos, mas porque o contexto internacional deixou sua contradição mais visível e politicamente insustentável. Por isso, o gabarito é a letra D: a entrada do Brasil na Segunda Guerra ao lado dos Aliados fortaleceu a crítica ao regime de Vargas e ajudou a acelerar o fim do Estado Novo.