A liberdade cognitiva é um dos desafios éticos postos pela interface cérebro-computador e por outras neurotecnologias. A liberdade cognitiva consiste no direito ao controle sobre nossas próprias consciências e processos mentais e ela tem sido reivindicada como um direito humano universal, sobretudo na atualidade, em que os conteúdos gerados por máquinas se tornam mais persuasivos e os seres humanos precisam estar mais conscientes sobre como sua capacidade cognitiva pode ser explorada e manipulada. Adaptado de https://unlocked.microsoft.com/ai-anthology/nita-farahany/ Considerando o texto, assinale a afirmativa que indica corretamente um procedimento que ameaça a liberdade cognitiva em um contexto de uso intensivo de inteligência artificial.
- A)Opção que desativa os algoritmos que selecionam a oferta de conteúdos com base nas preferências de visualização.
Errada, porque desativar algoritmos de recomendação tende a reduzir a manipulação, e não ameaçar a liberdade cognitiva.
- B)Dispositivos que permitem um controle maior dos usuários sobre as notificações dos aplicativos.
Errada, porque dar mais controle sobre notificações melhora a autonomia do usuário em vez de comprometê-la.
- C)Solicitação para que os usuários se envolvam criticamente com uma notícia antes de compartilhá-la.
Errada, porque incentivar leitura crítica antes de compartilhar notícia protege contra manipulação informacional.
- D)Rótulos que contêm aviso se conteúdos foram gerados por humanos ou máquina
Errada, porque rotular conteúdos como gerados por humano ou máquina aumenta a transparência e ajuda a decisão consciente.
- E)Processos que automatizam o compartilhamento de dados pessoais em redes sociais e outros apps.
Certa, porque automatizar o compartilhamento de dados pessoais favorece perfilamento, vigilância e manipulação do comportamento do usuário.
Gabarito: E
A ideia central aqui é simples: liberdade cognitiva é o direito de pensar, decidir e formar opiniões sem manipulação indevida. Em tempos de inteligência artificial e plataformas digitais, isso vira um tema quente porque algoritmos podem prever preferências, empurrar conteúdos e até incentivar comportamentos sem que a pessoa perceba direito o que está acontecendo. O ponto sensível não é a tecnologia em si, mas o uso dela para influenciar escolhas de forma opaca. Quando sistemas automatizam coleta, cruzamento e compartilhamento de dados pessoais, eles conseguem montar perfis comportamentais muito precisos. A partir daí, fica mais fácil direcionar anúncios, mensagens e estímulos que mexem com a atenção e com as decisões do usuário. É por isso que o gabarito é a alternativa E. Automatizar o compartilhamento de dados pessoais em redes sociais e outros apps amplia o monitoramento e o perfilamento do usuário, o que pode ser usado para manipulação informacional e persuasiva. Isso ameaça diretamente a autonomia mental e decisória, justamente o núcleo da liberdade cognitiva. Esse tema conversa com a proteção de dados e da privacidade no Brasil, especialmente com a LGPD (Lei 13.709/2018), que limita o tratamento abusivo de dados pessoais e reforça princípios como finalidade, necessidade e transparência. Em linguagem de prova: quanto mais dados circulam sem controle, maior o risco de alguém estar guiando sua atenção por trás da cortina.