Leia o trecho a seguir. Os Estados Unidos foram ultrapassados pela China e já não são o maior país de classe média do mundo em quantidade de pessoas. De acordo com um relatório de riqueza do banco Credit Suisse, há hoje 109 milhões de chineses e 91 milhões de americanos nesta categoria. A referência foi os Estados Unidos, com valores corrigidos para cada país de acordo com paridade de poder de compra e preços locais. Ou seja, para ser classe média na Índia, um adulto precisa ganhar US$ 13.662 por ano. No Reino Unido, este valor é 5 vezes maior. A fronteira da classe média no Brasil é de US$ 28 mil, e só 8,1% da população fica acima disso. 13 países com mais pessoas de classe média (Brasil incluso). Revista Exame, 13/09/2016. Considerando o trecho acima, assinale a afirmativa correta.
- A)A China é a maior potência econômica do mundo, desde 2016.
Errada, porque o texto não afirma que a China se tornou a maior potência econômica do mundo desde 2016.
- B)A ascensão da economia chinesa vem acompanhada de uma progressiva inclusão social.
Certa, porque o trecho indica que o avanço econômico chinês veio acompanhado do aumento da classe média, sinal de inclusão social.
- C)O custo de vida na Índia, maior que o da Inglaterra, explica a desigualdade social naquele país.
Errada, porque o texto não diz que o custo de vida na Índia é maior que o da Inglaterra; ao contrário, mostra que a renda necessária varia conforme o país.
- D)A crise de 2008 deu início à escalada da China e ao declínio dos Estados Unidos no cenário internacional.
Errada, porque a crise de 2008 não é apontada como início da ascensão chinesa nem como causa direta do declínio dos EUA no texto.
- E)O percentual de classe média, no Brasil, é compatível com o das democracias mais igualitárias do mundo.
Errada, porque o dado apresentado sobre o Brasil não permite concluir que seu percentual de classe média seja compatível com o de democracias mais igualitárias.
Gabarito: B
O trecho compara a quantidade de pessoas de classe média em diferentes países usando paridade de poder de compra, isto é, uma forma de medir renda que tenta corrigir as diferenças de custo de vida entre as economias. Isso é importante porque a mesma renda nominal pode significar coisas bem diferentes em países distintos. Por isso, quando o texto mostra China, Estados Unidos, Índia, Reino Unido e Brasil, ele está falando não só de riqueza, mas também de como essa riqueza se distribui e alcança a população. A ideia central é que o crescimento chinês não foi apenas “crescimento de gráfico”, mas veio acompanhado do aumento do consumo, da renda e da entrada de muita gente em faixas sociais mais altas. Em outras palavras, a economia da China avançou e uma parte relevante da população passou a integrar a classe média, o que indica inclusão social progressiva, ainda que desigualdades continuem existindo. É exatamente esse o ponto que faz a alternativa B estar correta. Já as demais alternativas exageram, invertem causas ou tiram conclusões que o texto não sustenta. O enunciado não diz que a China virou a maior potência econômica do mundo, nem que a crise de 2008 iniciou sozinha a ascensão chinesa. Também não autoriza dizer que a classe média brasileira se equipara à das democracias mais igualitárias. Em prova, desconfie quando a banca transforma um dado econômico em verdade absoluta mundial. Como base conceitual, vale lembrar que o uso de paridade de poder de compra é comum em relatórios internacionais de riqueza e desenvolvimento, porque permite comparações mais justas entre países. O texto, portanto, aponta para um processo de crescimento com ampliação do grupo de consumidores e de pessoas em melhores condições de vida, que é justamente a noção de inclusão social associada à expansão econômica.