As violências e causas externas são a terceira principal causa de óbitos e internações no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o Ministério da Saúde. As agressões são o tipo de violência mais frequente, seguidas por acidentes de trânsito, lesões acidentais e lesões autoprovocadas. Sobre o fenômeno da violência no Brasil, avalie se as afirmativas a seguir estão corretas. I. O Brasil alcançou em 2020 a meta da Organização das Nações Unidas (ONU), lançada em 2010, de redução de 50% das mortes no trânsito em uma década nos países-membros. II. Quanto à mortalidade por suicídio entre as unidades da Federação, observa-se que todos os estados da Região Sul do País apresentaram taxas de suicídio superiores à média nacional. III. Desde a alteração do Código Penal Brasileiro, em 2015, incluindo a Lei nº 13.104/15, que tipifica o feminicídio como homicídio, o número de assassinatos de mulheres em função de gênero diminuiu no país. IV. Homens e mulheres negros, pela primeira vez em 2022, passaram a representar menos de 50% das vítimas de homicídios no Brasil. Está correto o que se afirma em
- A)I e III, apenas.
Errada, porque a I é falsa e a III também não se sustenta como regra estatística nacional.
- B)II e IV, apenas.
Errada, porque a IV é falsa e não se pode excluir a I como correta.
- C)II e III, apenas.
Errada, porque a III é falsa e a I também não corresponde ao cenário nacional.
- D)II, apenas.
Certa, pois somente a afirmativa II está de acordo com os dados sobre suicídio na Região Sul.
- E)I, III e IV, apenas.
Errada, porque a I, a III e a IV estão incorretas.
Gabarito: D
Violência no Brasil é tema que a FGV adora cobrar com números e uma boa pitada de interpretação. Em geral, a banca mistura dados de trânsito, suicídio, feminicídio e homicídios para ver se voce conhece as tendências reais e não cai em manchetes simplificadas. Aqui, o ponto central é separar o que é dado estatístico consistente do que é conclusão apressada. A afirmativa II está correta: a Região Sul costuma registrar taxas de suicídio acima da média nacional, e isso aparece com frequência nos relatórios de saúde pública. Já a I está errada porque o Brasil não pode ser dado como tendo cumprido, de forma geral, a meta da ONU de reduzir pela metade as mortes no trânsito em uma década. Houve queda em alguns momentos, mas não o suficiente para cravar o cumprimento da meta. A III também está errada. A Lei nº 13.104/2015, que alterou o Código Penal e incluiu o feminicídio como circunstância qualificadora do homicídio, não fez os assassinatos de mulheres por razão de gênero diminuírem automaticamente. Tipificar é importante para visibilidade e punição, mas não significa redução imediata dos casos. A IV também erra ao afirmar que, em 2022, homens e mulheres negros passaram a representar menos de 50% das vítimas de homicídios no Brasil; na prática, a vitimização negra segue muito alta e acima desse patamar. Por isso, o gabarito é a letra D: apenas a afirmativa II está correta.