Durante a “Guerra dos Cabanos” (1835-1840), os revoltosos se denominavam de “patriotas”, querendo forjar para si mesmos uma nova identidade. O vocábulo “patriota” usado pelos cabanos indicava
- A)o sentimento nacionalista das camadas populares do Alto Amazonas, cujo movimento apoiava a integração de sua região à uma nação brasileira independente.
Errada, porque não se trata de um nacionalismo popular do Alto Amazonas nem de apoio à integração regional à nação brasileira independente.
- B)o projeto monarquista dos revoltosos, que se identificavam como “portugueses” em oposição aos “brasileiros” da Corte do Rio de Janeiro.
Errada, pois os cabanos não defendiam um projeto monarquista baseado em oposição entre "portugueses" e "brasileiros" da Corte.
- C)a influência do modelo norte-americano de revolução: lutar por um estado federalista e escravocrata, incentivando a expansão da produção para o mercado interno.
Errada, já que não houve influência direta de modelo norte-americano nem defesa de um estado federalista escravocrata como eixo da revolta.
- D)a emergência de uma identidade comum entre rebeldes de diversas etnias e culturas (indígenas, negros e mestiços), mas que percebiam problemas e luta em comum.
Certa, porque expressa a união simbólica de grupos diversos, que criaram uma identidade comum a partir de problemas e interesses compartilhados.
- E)o desenvolvimento de uma imagem anti-imperialista entre os setores populares do Império, que se organizavam para lutar contra a exploração dos colonizadores.
Errada, porque a revolta não se organizou como um movimento anti-imperialista amplo contra colonizadores, mas como uma insurgência local do período regencial.
Gabarito: D
A Guerra dos Cabanos foi uma revolta do período regencial, marcada pela participação de grupos populares do Norte/Nordeste, especialmente em áreas de Pernambuco e Alagoas. O nome "cabanos" já indica uma composição social humilde, ligada a gente pobre do interior, seringueiros, indígenas, negros e mestiços, e não a um movimento homogêneo com projeto político sofisticado e único. Quando esses revoltosos passaram a se chamar de "patriotas", eles queriam construir uma identidade comum para unir pessoas diferentes em torno de uma causa compartilhada. Em outras palavras, era uma forma de dizer: "somos um grupo com problemas parecidos e vamos lutar juntos". Isso ajuda a entender por que a noção de patriotismo ali não tinha o sentido clássico de Estado nacional forte, mas o de pertencimento político e social à luta rebelde. Por isso, a alternativa correta é a D: ela traduz exatamente a emergência de uma identidade comum entre rebeldes de diversas etnias e culturas, mas que percebiam problemas e luta em comum. Esse tipo de leitura é típico das rebeliões regenciais, em que a identidade política muitas vezes se formava no calor da revolta, e não em torno de um projeto nacional consolidado. As demais alternativas tentam empurrar a questão para ideias de nacionalismo moderno, monarquismo ou anti-imperialismo em sentido amplo, mas isso não combina com o contexto histórico da Guerra dos Cabanos. O foco aqui é a construção de uma identidade popular rebelde, mais local e social do que propriamente nacional.